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admin 24 Abr 2011

Viana: Ourives doa coleção de 500 peças de ouro popular e tradicional ao município

Um ourives de Viana do Castelo vai doar ao município um espólio de mais de 500 peças de ouro popular e tradicional, que reuniu em […]

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Um ourives de Viana do Castelo vai doar ao município um espólio de mais de 500 peças de ouro popular e tradicional, que reuniu em 50 anos e que retrata vários séculos do metal precioso. “Devo muito à cidade de Viana do Castelo. Seria muito triste que, depois da minha morte, este espólio fosse vendido de qualquer maneira”, começou por explicar o ourives Manuel Freitas.

 
Agora com 70 anos e há meio século na actividade da ourivesaria, Manuel Freitas foi notícia em 2007 ao ver o seu Museu da Ouro Tradicional, e a contígua ourivesaria, vítima de um dos mais graves assaltos de que há memória na região.  Por entre troca de tiros entre assaltantes e PSP, em plena luz do dia, o resultado foi um morto e vários feridos. Além de centenas peças perdidas para sempre e um milhão de euros de prejuízos. “O que sobrou do assalto vou oferecer à cidade”, afirma o Ourives. Todos os dias, fruto da crise, diz assistir a algo que só teve paralelo na crise dos anos vinte do século passado, mas que não quer ver repetido com a sua colecção.  “O ouro era a segurança social dos mais pobres e nos primeiros anos do século passado o povo vendeu-o porque não tinha dinheiro. Foi tudo fundido e agora estamos a assistir, de novo, à delapidação da história de um povo”, conta.  Numa altura em que “tudo é derretido para fazer algum dinheiro”, mesmo as peças de família mais históricas, Manuel Freitas quer ver uma instituição pública a garantir cuidar da colecção. Esta oferta será concretizada “sem qualquer compensação financeira” mas através de uma fundação envolvendo, em partes iguais, ele próprio e a esposa, além da Câmara e da Associação Empresarial de Viana do Castelo. “O meu filho, que morreu recentemente, foi um dos impulsionadores desta doação. Por isso a fundação terá o nome dele: Eduardo Freitas”, acrescenta, esperando concretizar a doação em Julho. Admite tratar-se de um desejo já com dez anos mas que nunca foi possível concretizar junto da autarquia, até que agora surgiu o entendimento.  Entre a coleção contam-se sobretudo centenas de peças de ouro popular mas também outras mais trabalhadas, entre as quais um pesado colar de Gramalheira ou vistosas Custódias, além dos típicos brincos oferecidos às crianças pelos familiares. Naquele edifício, agora propriedade da Câmara, funcionou durante anos o Banco de Portugal em Viana, pelo que os antigos cofres, garante, “são o melhor sítio para guardar e expor a coleção”. Simultaneamente com a entrega da coleção, cujo valor monetário não revela por razões de segurança, Manuel Freitas vai ainda lançar o livro “Ourar e Trajar”, da sua autoria, sobre ourivesaria e trajes regionais.

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