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admin 02 Jul 2011

Estaleiros de Viana: Devem-se fazer contas antes de dispensar trabalhadores – ex-presidente executivo

O ex-presidente executivo dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, contra-almirante Victor Brito, aconselhou a administração a “fazer contas” antes de avançar com a dispensa […]

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O ex-presidente executivo dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, contra-almirante Victor Brito, aconselhou a administração a “fazer contas” antes de avançar com a dispensa de 380 trabalhadores, considerando que a medida pode ter “custos elevados”. Em artigo publicado na Revista da Marinha, Victor Brito sublinha que as obrigações contratuais que os ENVC tem para com um armador da Venezuela, para a construção de dois navios para o transporte de asfalto, “não podem deixar de ser tomadas em consideração no esgrimir dos argumentos em matéria de racionalização de efectivos”.
 

Em Outubro de 2010, os ENVC assinaram um contrato, superior a 128 milhões de euros, para a construção de dois navios asfalteiros para a empresa venezuelana PDVSA Naval, filial da Petróleos da Venezuela SA. Com 27 mil toneladas cada um, o prazo para entrega do primeiro asfalteiro é de 36 meses, sendo o segundo entregue nove meses depois. O contrato garante 1,2 milhões de horas de trabalho aos ENVC. “É necessário ter em consideração que em Portugal não existe um mercado estruturado de subcontratação na área específica da indústria naval. É evidente que se pode sempre subcontratar empresas operando noutras regiões e até em países estrangeiros, mas os respectivos encargos são muito mais elevados do que o que terá sido orçamentado, e terá fortes reflexos nos resultados finais da execução do contrato, a apurar dentro de quatro ou cinco anos”, refere.
Victor Brito acrescenta que mesmo a subcontratação corrente é, regra geral, mais dispendiosa em Viana do Castelo do que nos distritos de Lisboa e Setúbal. “É evidente que alguns pensarão recorrer a mini firmas que recrutarão os que entretanto se desvincularem do estaleiro. Há que fazer contas para ver o resultado dessa operação”, adverte. Em Junho, a administração dos ENVC manifestou intenção de dispensar, até finais do ano, 380 dos 720 trabalhadores, uma medida tida como “indispensável” para garantir a sobrevivência da empresa. Os ENVC tiveram um resultado negativo de 40 milhões de euros no exercício de 2010, apresentando actualmente um passivo de 200 milhões de euros. A dispensa daqueles trabalhadores consta do plano de reestruturação encomendado pela actual administração dos ENVC, nomeada em meados de 2010, que Victor Brito integrou durante menos de cinco meses, até pôr o lugar à disposição, sem revelar as razões. “Desconhece-se se as outras parcelas do programa de reestruturação (saneamento financeiro, fundo de pensões, reestruturação orgânica e investimentos, relações de trabalho e acordos laborais) irão ser implementadas conforme propostas ou não”, escreve ainda Victor Brito.

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