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admin 06 Jul 2011

Reportagem: Funcionários temem que fim do comboio “português” acabe com estação galega de Tui

Os cinco funcionários da estação de comboios da localidade galega de Tui temem o encerramento daquela centenária paragem, depois do anúncio de supressão, feito pela […]

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Os cinco funcionários da estação de comboios da localidade galega de Tui temem o encerramento daquela centenária paragem, depois do anúncio de supressão, feito pela CP, da linha que liga Valença a Vigo.

 
“Depois de domingo, com o fim desta linha para ligações de passageiros, o mais certo é a Renfe [operadora espanhola] acabar com a nossa estação, porque o comboio português é o único que aqui passa”, confessou o chefe de estação naquela localidade. Rafael Calvo tem 50 anos, metade dos quais foram passados na estação de Tui, agora condenada. Caso para dizer que, brinca, contrariando o típico provérbio nacional, “de Portugal vieram os maus ventos”. Em Tui, garante o chefe da estação, a modernização da linha deverá dar lugar ao encerramento. “O que vão fazer é automatizar a linha, por causa das mercadorias, e acabou-se a estação de Tui. Certamente que será isso que vai acontecer, como o foi com outras estações da Galiza”, admite o espanhol.
Com 125 anos, tantos como a ponte que, pelo rio Minho, liga a localidade galega a Valença, a estação de Tui já conheceu melhores tempos. “Quando tínhamos as fronteiras fechadas, os comboios, que eram três por dia, chegavam a parar aqui mais de quarenta minutos, para serem revistados pela Alfândega. Iam cheios, mas esses tempos já lá vão. Tenho pena que a CP acabe com o serviço, certamente podiam encontrar-se outras soluções, entre as duas empresas”, diz Rafael. Isto porque apesar de centenária, a linha para norte de Tui é um ramal da principal, pelo que a ligação ferroviária mais próxima, depois do fim do serviço até Vigo, ficará a 12 quilómetros, em Porriño. “Alguém vai andar a apanhar um autocarro e depois o comboio, quando, a cada meia hora, há autocarros directos para Vigo? O comboio vai acabar para estas pessoas”, garante Juan Carlos, 61 anos e há mais de vinte a trabalhar na estação de Tui.
Duas vezes por dia, em cada sentido, o comboio da CP para naquela estação – e em outras duas estações galegas antes de chegar a Vigo -, mas isso vai acontecer pela última vez no domingo. A CP, que há vários anos assegura sozinha a ligação entre Porto e a maior cidade galega, reclama um prejuízo mensal de 19.600 euros, num serviço totalmente operado em território espanhol, pelo que a ligação vai passar a acabar – e terminar -, em Valença. Hoje de manhã, ao ver passar o comboio, Rafael atira uma justificação para a diminuição da procura, de Tui para Vigo, que actualmente pode não ultrapassar a centena de passageiros diários. “O primeiro do dia passa aqui às 11:15 e chega a Vigo às 12.15 [hora local]. Alguém vai trabalhar para Vigo a essa hora? Dentro do comboio não há informações sobre mudanças da linha ou outros serviços. Parece que nunca quiserem fazer nada por esta linha”, desabafa. As condições de operação da linha são outra observação que o “chefe” de Tui lamenta. “Esta linha funciona tal como há cem anos. Hoje, se preciso de pedir uma linha para o outro lado da fronteira, ainda tem de ser por telefone, porque nada está automatizado. Deve ser o único ponto de Espanha onde ainda se faz isto desta forma”, acrescenta. A partir de domingo, com a supressão da ligação internacional, três comboios semanais, de mercadorias, passam a ser os únicos a dar movimento àquela estação. “Não se justifica ter a estação aberta para isto. Essa é a verdade, infelizmente”, remata, pouco antes de dar partida ao comboio português, uma das últimas vezes que o pode fazer.

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