FECHAR
Logo
Capa
A TOCAR Nome da música AUTOR
admin 25 Mai 2015

Moinho com mais de 400 anos foi recuperado e funciona em pleno na cidade de Viana do Castelo

Na Quinta de São João, na Meadela, cidade de Viana do Castelo, existe um verdadeiro tesouro da história, um moinho construído há mais de quatro […]

Acessibilidade

Ouvir
Aumentar Texto Diminuir Texto
Contraste Contraste

Na Quinta de São João, na Meadela, cidade de Viana do Castelo, existe um verdadeiro tesouro da história, um moinho construído há mais de quatro séculos, que agora está disponível para ser visitado. Maria Isabel Corucho, uma das atuais proprietárias da quinta, explicou à Geice que investiram “bastante” na recuperação do moinho, num investimento que ultrapassou os 10 mil euros, tentado sempre preservar toda a originalidade.
“A única peça nova é o rodízio”, afirma, pois a peça era originalmente em madeira, tendo sido entretanto substituída por uma peça de ferro, que foi depois substituída por um rodízio em inox. “De início, quando o meu avô comprou isto, era em madeira. Atualmente, como não há carpinteiros que possam fazer este trabalho, pusemos a peça em ferro, mas deteriorou-se. Colocamos agora em inox. De resto, todas as peças são originais”, garante.
A construção coletiva faz parte da antiga Quinta de Lamas, situada nos limites da Meadela com Nossa Senhora de Fátima, onde existia uma capela construída nos séculos XIII-XIV, sob a invocação de S. João Baptista. A capela foi pertença dos “Pandilhas” e adquirida em 1930 por Monsenhor Corucho por cerca de “62 contos”, o que era “muito dinheiro, na altura”. À data da morte de Monsenhor Corucho, em 1960, coube a herança ao seu irmão, Albino Corucho, avô de Maria Isabel, que a doou depois ao filho, Albino de Barros Corucho, o artigo urbano que correspondia à antiga capela, que se encontrava em total ruína, onde foi feita uma casa de habitação.
Os atuais proprietários da Quinta de S. João são Maria Isabel Corucho, os irmãos e a mãe, que decidiram restaurar o moinho. A responsável explica que o exemplar com mais de quatro séculos de existência era, na altura em que passou para as mãos da família, o único moinho industrial “nas redondezas”. O avô dos atuais proprietários tinha um alvará de indústria, pagava imposto para poder fazer moagem “24 horas por dia” para quase toda a cidade.
Explica Maria Isabel que, na altura em que o moinho era utilizado por muita gente, era a “fábrica da aldeia”, pois recebia pessoas da Abelheira e da Meadela para “moer o milho”. “Não pagavam em dinheiro, era a maquia, faziam uma troca, pois deixavam o milho e levavam a farinha”, explica.
Depois da recuperação, a responsável reconhece que é um orgulho poder mostrar a construção aos mais novos. “Sinto-me feliz por conseguirmos preservar este património e agora podermos mostrá-lo às crianças, hoje tão distantes desta realidade”, afirmou Maria Isabel Corucho. A família permite que, de forma regular, os alunos das escolas do concelho visitem o espaço e conheçam o moinho, numa parceria com o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA) da cidade.
Atualmente, acrescenta, o moinho “funciona quando é preciso alimentar os animais”, para dar farinha a amigos e familiares “que ajudam nos trabalhos agrícolas” ou quando a quinta recebe as visitas das escolas.
Para permitir o funcionamento do moinho, a água que corre no Ribeiro de S. Vicente, que passa pela propriedade familiar, é encaminhada por uma levada, de forma a ficar num plano mais elevado que o edifício, que depois é despejada num antigo aqueduto, que a afunila e a conduz, de forma a que o jacto assim criado incida nas penas do rodízio, provocando-lhe um movimento giratório. A mó gira sobre o pé da mó, que fica estático, provocando uma fricção no cereal que é introduzido nesse intervalo pela moega, esmagando o milho.
Este trabalho é assegurado por Mário Teixeira, vizinho da família e um conhecedor da moagem. “Vou dando uma ajuda, passo aqui uns bons bocados”, explica, assumindo o “entusiasmo em ser moleiro” que sentiu quando o moinho foi restaurado.
“Nas aldeias, antigamente, via-se, todos os dias, o milho a ser moído. Eu já tinha uma grande ideia do que era um moinho, porque na minha aldeia, em Barcelos, existiam três moinhos”, explica.
Aos 73 anos, reformado do setor hoteleiro, garante que “preserva mais a vida e dura mais anos” ao envolver-se nestes trabalhos mais ligados à terra.
Em Viana do Castelo, existem moinhos de vento em Carreço, as azenhas de Outeiro, os moinhos de S. Lourenço da Montaria e ainda as Azenhas de D. Prior, associadas ao Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Viana do Castelo.

 

Comentários

Últimas notícias

mais notícias

Últimos podcasts

mais podcasts