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admin 07 Out 2015

Difamações de blogger colocaram “no limiar da depressão” padres das Diocese de Viana

Na segunda sessão do julgamento do blogger que, através de uma página na internet, lançou acusações a diversas figuras da Diocese de Viana, Vasco Gonçalves, […]

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Na segunda sessão do julgamento do blogger que, através de uma página na internet, lançou acusações a diversas figuras da Diocese de Viana, Vasco Gonçalves, um dos visados, afirmou que as difamações colocaram “no limiar da depressão” alguns padres. Vasco Gonçalves, pároco na freguesia de Monserrate, em Viana do Castelo, assumiu que ao longo do período em que o blogue esteve ativo, os padres “estavam de rastos, porque isto mexe com as pessoas, tira-lhes o sono”.
O visado foi ouvido na segunda sessão do julgamento, que aconteceu esta quarta-feira, no Tribunal Judicial de Viana do Castelo. Recorde-se que um homem, atualmente com 25 anos, está a ser acusado dos crimes de difamação agravada e devassa da vida privada do bispo, de seis padres e de uma funcionária da Diocese de Viana do Castelo, através da criação de um blogue. Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o homem, que é natural de Barcelos, está acusado de sete crimes de difamação agravados e oito crimes de devassa da vida privada.
O caso começou em abril de 2012, quando Marco Ribeiro criou o blogue com o título “Os podres da diocese de Viana do Castelo” e o subtítulo “Burlas, prostituição, homossexualidade, casamentos destruídos, injustiças, entre muitos outros casos ocorridos na diocese de Viana do Castelo”. Ao longo de vários meses, o arguido relatou situações que representariam práticas menos condicentes com a postura do clero, publicando “fotografias e dados pessoais, profissionais e até de familiares” dos visados.
Na acusação, o Ministério Público considerou as publicações “violadoras da honra e dignidade dos visados, quer como pessoas, quer como membros do clero, agravando o facto de com as mesmas serem publicadas fotografias, moradas e números de telefone, pertencentes à vida privada dos visados e que assim possibilitou a sua maior divulgação, identificação e contacto”. O julgamento começou, na semana passada, sem a presença do arguido, que emigrou para o Canadá.
Segundo o Ministério Público, o acusado “conhecia a falsidade das imputações, nem as podia razoavelmente ignorar, não se podendo bastar com notícias sensacionalistas dos média que, no entanto, não se absteve de afirmar e difundir, o que sabia não corresponder à verdade ou pelo menos não se sabia se correspondia à verdade e, como tal, não podia divulgá-las”. O arguido terá agido “sempre de forma livre, voluntária e consciente, imputando os factos e as expressões descritas aos ofendidos, e levando a que terceiros imputassem factos e expressões do mesmo jaez àquelas, por causa das suas funções e por causa da sua atividade no exercício dessas funções”.
Por duas vezes, o blogue em questão referiu-se ao visado padre Vasco, primeiro com fotografias retiradas do Facebook e depois com alegadas falsas declarações imputadas ao chefe de gabinete do Bispo D. Anacleto Oliveira. Vasco Gonçalves afirmou ter tido conhecimento da página pelo “passa a palavra”, dizendo que “todos ouvimos falar do blogue” e receberam emails a remeter para o espaço na internet.
“Eu era apresentado como o porta-voz da posição do senhor Bispo, sinto-me visado porque fui usado como porta-voz de coisas que eu nunca disse”, sendo que, nas mesmas publicações, eram nomeados outros membros da diocese.
Admite que esteve presencialmente com o arguido apenas uma vez, numa conversa de “meia-hora”, no Centro Pastoral Paulo VI, em que ouviu as queixas do acusado. “Tinha um problema com um antigo colega, achava que tinha sido lesado e queria falar com o senhor bispo”, acrescentou, revelando que parecia querer pressionar a diocese para que o antigo colega, padre de profissão, fosse “posto no seu lugar” e afastado, por questões que incluíam uma alegada dívida financeira. “Creio que ele começou a tentar contactar o senhor bispo cerca de um ano antes de o blogue começar”, afirmou, dizendo que o blogger terá dito que tinha matéria suficiente “para destruir a fama da Diocese de Viana e também de Braga”. “Ele sempre pretendeu falar com o senhor bispo”, referiu o visado, dizendo que o arguido “não era claro sobre o que pretendia, mas parecia querer um ajuste de contas”.
“Nós, na Igreja, procuramos ver se as coisas acalmavam e arrefeciam”, explica, mas como o blogue continuava a atacar os padres e os visados eram cada vez em maior número, avançaram para a participação à polícia em finais de 2012. “Foi aumentando o número de visados e estávamos com receio que fosse aumentando cada vez mais”, vaticinou. “A gravidade estava a aumentar gradualmente, acho que é muito grave”, disse.
Sobre os ataques que lhe foram dirigidos, Vasco Gonçalves considera que “a nível pessoal, põem em causa a minha honra” e que, a nível da Igreja, as difamações “desestabilizaram um pouco”, tendo criado “desconfianças a nível interno”. O blogger terá mesmo enviado um dossiê, por email, para muitos padres e para quase todos os bispos do país, segundo o chefe de gabinete.
“Foi de má fé”, declarou, dizendo que os padres da diocese vianense “estavam de rastos” e que as redes sociais ajudaram a aumentar as proporções das acusações, pelo que “viveram momentos muito difíceis, no limiar da depressão, foi duro”.
Manuel de Passos, pároco de Refóios do Lima, constituiu-se como testemunha no processo e referiu que “mesmo antes do blogue, começaram a aparecer emails, que eram enviados para cerca de 305 endereços eletrónicos diferentes, do Vaticano até aos sacerdotes”.
“Senti-me ofendido enquanto padre da Diocese”, explicou, dizendo que toda esta polémica foi “corrosiva” para a Igreja.
Ricardo Sousa, diretor do Colégio do Minho, também foi ouvido e afirmou nunca ter acedido ao dito blogue, mas viu uma imagem manipulada do Bispo da Diocese, “grávido”, que o “chocou”. “Chocou-me bastante, o nosso Bispo andava nas bocas do povo”, declarou.
Foram também ouvidas quatro testemunhas, da paróquia de Vila Nova de Anha, no âmbito de um processo cível, movido pelo pároco Alfredo Domingues de Sousa, que, de acordo com a acusação, esteve alegadamente envolvido em “casos de homossexualidade entre membros do clero”, segundo o blogue em causa.
Para o julgamento, o Tribunal de Viana dispensou a presença de D. Anacleto Oliveira, bispo da diocese. A continuação do julgamento ficou agendada para 4 de novembro, às 14 horas.

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