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admin 31 Out 2015

Homenagem a Maria Augusta d’ Alpuim no centenário do seu nascimento

Esta sexta-feira, a biblioteca da Escola Primária de Vila Nova de Anha acolheu uma cerimónia de homenagem a Maria Augusta d’ Alpuim, nome de referência […]

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Esta sexta-feira, a biblioteca da Escola Primária de Vila Nova de Anha acolheu uma cerimónia de homenagem a Maria Augusta d’ Alpuim, nome de referência na freguesia e figura incontornável da cidade de Viana do Castelo. A homenagem assinalou a passagem do centenário do nascimento de “Miguta”, como era carinhosamente conhecida.
Maria Augusta d’ Alpuim teve uma ativa vida em prol de Viana do Castelo, a nível social, político e cultural, tendo sido vereadora e presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo. João Alpuim, sobrinho da homenageada, entretanto falecida, explicou que a nomeação para líder da autarquia do Alto Minho é “uma história muito engraçada”.
“Não temos a certeza de que tenha sido a primeira presidente de Câmara Municipal do país, mas penso que sim”, explicou o familiar. “Ela era vereadora municipal antes do 25 de abril e, depois da revolução, a lei geral dizia que a presidência da autarquia devia ser assumida pelo vereador mais antigo, que era a minha tia. Ela assumiu essa responsabilidade, apesar de toda a gente lhe dizer para não o fazer. Ela estava ligada ao Estado Novo e não quis fugir à sua responsabilidade”, contou.
João Alpuim referiu que a sua tia “teve uma vida muito preenchida, quer na parte cultural quer na parte social”. “Era pessoa do antigo regime, ligada à ditadura, mas destaca-se um forte espírito de ajuda”, ajudando a criar as Guias de Portugal na região de Viana do Castelo e a fundar a Casa dos Rapazes, instituição que acolhe crianças e jovens em risco.
Na homenagem, que aconteceu no início da noite de sexta-feira, alguns alunos da escola primária puderam apresentar trabalhos realizados, onde foram destacados momentos importantes da vida de “Miguta”.
Ana Margarida Silva, vereadora da Ação Social na Câmara Municipal de Viana do Castelo, confirmou que “a Dona Miguta, em primeiro lugar, foi uma pessoa da cultura, muito ligada à área social na nossa cidade”.
A representante da autarquia referiu o “privilégio” que foi ter conhecido bem a homenageada, durante o tempo em que fez parte das Guias de Portugal. “Na minha experiência pessoal, privei com a Dona Miguta vários anos, na Associação Guias de Portugal, e considero-a uma das grandes referências enquanto mulher, pela forma alegre, consensual, pacífica, com que lidava com todas as idades, adversidades, e Guias das diferentes proveniências. Estamos a falar de uma época em que havia muitas diferenças. Hoje em dia, quando fazemos uma atividade das Guias, não notamos qualquer diferença entre uma guia que veio de Cardielos, de São Romão de Neiva, de Âncora ou de Monção. No entanto, há uns anos, não era assim. De facto, notava-se muito a proveniência rural de algumas guias, diferente das guias da cidade, mas a Dona Miguta era igual para todas”, explicou. Por isso, Ana Margarida Silva revela estar orgulhosa por “exercer funções de vereadora numa Câmara Municipal que também foi presidida por esta senhora”, revelando as “muitas saudades” sentidas.
Nascida em Lisboa, a 5 de abril de 1915, Dona Maria Augusta d’Eca d’Agorreta d’Alpuim é descendente da Casa dos Alpuins, que tem como núcleo secular o armoriado Paço de Anha. Foi figura de referência na cidade do Alto Minho, tendo sido distinguida, em 1997, com o título de Cidadã de Mérito pela Câmara Municipal de Viana do Castelo.
Ainda jovem, fundou a Juventude Católica Feminina, movimento onde, durante dez anos, exerceu vários cargos de responsabilidade diretiva. Subdelegada da Mocidade Portuguesa, desde 1942, fundou uma Residência para Estudantes, um Centro de Trabalhos Regionais e uma Casa de Repouso e Tempos Livres para raparigas estudantes. Já como delegada, foi professora de Religião e Moral no Liceu e na Escola Técnica, até à extinção deste movimento, em 1974. Em 1975, foi cofundadora do Jardim de Infância Nun’Álvares, mais tarde convertido no Infantário de Santo António e, nesse mesmo ano, foi também a fundadora, na região, da Associação escutista “Guias de Portugal”, movimento por si dirigido.

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