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admin 26 Out 2015

Reportagem: Página reúne histórias de emigrantes que partem de Monção para “quatro cantos do mundo”

  Uma página recentemente criada na rede social Facebook está a aproximar os emigrantes que partem de Monção da terra natal, contando as suas histórias […]

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Uma página recentemente criada na rede social Facebook está a aproximar os emigrantes que partem de Monção da terra natal, contando as suas histórias aos que ficam e aos que também estão espalhados pelo mundo fora. Edite Felgueiras resolveu abrir, a 1 de agosto, a página “Monçanenses pelo Mundo” e admite que “é entusiasmante perceber como de uma vila pequena no norte do país conseguimos chegar aos quatro cantos do mundo e superar dificuldades para atingir os objetivos pessoais ou profissionais que levamos connosco”.
À Geice, a jovem de 31 anos, explicou que nasceu em Monção, concelho onde viveu até aos 18 anos de idade, mas que cedo sentiu vontade de conhecer o mundo. Saiu da terra para ingressar no ensino superior, em Comunicação Social e Multimédia, e atualmente é “Marketing Specialist” numa “software house” em Braga.
Explica que durante a licenciatura teve oportunidade de fazer Erasmus na Polónia, numa experiência “enriquecedora” que lhe deixou a vontade de, mais tarde, “fazer o mesmo mas em contexto de trabalho”. Por isso, dois anos depois de começar a trabalhar, aceitou o desafio de “voltar a agarrar na mochila e ir”, partindo para Madrid, em finais de 2008, para uma estadia de 6 meses, “que acabou por se prolongar mais um pouco, numa consultora de marcas criada também por um português”.
Enquanto vivia em Espanha, a jovem monçanense acompanhava o programa televisivo “Españoles en el Mundo”, que deu depois origem ao formato português. Foi nessa altura que começou a pensar no interessante que seria saber por onde andam os monçanenses espalhados pelo mundo.
“O meu pai foi emigrante durante 40 anos, em França, por isso sempre convivi de perto com a questão da emigração. Aliás, serão poucas as pessoas em Monção, senão nenhuma, que não tem um familiar ou pessoa próxima a viver fora do país. É uma vila raiana onde a emigração sempre marcou presença”, vaticina Edite Felgueiras.
“Num contexto menos visual que a série televisiva, já que os meios e orçamento disponíveis eram quase nulos, a ideia seria criar um blog, em voga na altura, e reunir a histórias de monçanenses emigrados”, explica a criadora da página “Monçanenses pelo Mundo”, que já conta com mais de 3.500 seguidores.
“Por falta de tempo, a ideia foi arrumada na gaveta e assim ficou até me ter voltado a lembrar, há cerca de um ano”, assume, dizendo que decidiu avançar apenas este ano com o projeto “porque queria esperar para lançar o projeto numa data significativa: 1 de agosto, o dia em que muitos emigrantes regressam a casa para férias”.
“Com o período conturbado que vivemos em Portugal assistimos a uma nova vaga de emigrantes e com a ajuda das redes sociais tornou-se muito mais fácil e economicamente viável conseguir colocar o projeto em prática e chegar facilmente às pessoas”, afirma a responsável.
Os objetivos da página são ajudar a aproximar os emigrantes “da sua terra natal e poder contar as suas histórias a quem fica e a quem como eles está fora e se identifica com o testemunho”, garante, dizendo que, se no início, as histórias chegavam através “de amigos de amigos que estavam fora”, com as primeiras entrevistas publicadas “passaram a ser familiares e amigos de emigrantes a deixarem mensagens na página do Facebook e no site com sugestões e contactos”.
Edite Felgueiras assume que o feedback tem sido muito positivo, “com felicitações pela iniciativa” que pretende manter os laços entre os emigrantes e a terra natal. “É engraçado ver como as pessoas reagem quando lêem pela primeira vez o artigo sobre a sua história de emigração”, diz, referindo que “já houve quem se emocionasse, possivelmente ao rever mentalmente os sacrifícios que teve que fazer”.
“O curioso é que esta nova vaga de emigrantes em que o ‘Monçanenses pelo Mundo’ se foca é muito diferente da que partiu de Monção nas décadas de 60 e 70, e da qual o meu pai fez parte. Há uma nova mentalidade. Já não há só a intenção de conseguir melhores salários e enviar remessas de dinheiro para Portugal, mas sim a vontade de se integrarem, de aproveitarem melhor o novo país e a vida”, conta a criadora da página, dizendo que o projeto que lançou há três meses “não é nenhum estudo antropológico mas sim uma pequena amostra desta ‘fuga de cérebros’ que está a acontecer e que vai deixar marcas”.
Para além de contar histórias de emigrantes monçanenses espalhados pelo mundo, a jovem também usa a página para divulgar ofertas de emprego, dar dicas sobre as burocracias inerentes à emigração e divulgar informações que possam interessar a quem está fora do país.
“Recebi há algum tempo no site uma mensagem de uma pessoa que tinha acabado de chegar a França a perguntar se saberia algo sobre ofertas de emprego no país. Foi aí que percebi que com o projeto poderia fazer mais”, garante, dizendo que pretende divulgar oportunidades de emprego “cá e lá fora” e “dar dicas e informações sobre legalização, procura de alojamento e cultura para que ninguém vá despreparado quando decide emigrar”.
“Neste momento as oportunidades profissionais não abundam em Portugal e as que existem não trazem com elas as condições salariais que gostaríamos, por isso percebo claramente a necessidade de partir”, vaticina Edite Felgueiras, referindo que o facto de Portugal ter a maior taxa de emigração da União Europeia é “deveras preocupante”.
“A instabilidade económica que vivemos está a sufocar muitas famílias e infelizmente o estrangeiro parece ser a única lufada de ar fresco num futuro próximo”, refere.

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