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admin 12 Nov 2015

Associação de Viana que acolhe animais de rua em risco de ficar sem abrigo

  Em Viana do Castelo, uma associação que acolhe e cuida de animais de rua corre sérios riscos de ficar sem abrigo daqui a algumas […]

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Em Viana do Castelo, uma associação que acolhe e cuida de animais de rua corre sérios riscos de ficar sem abrigo daqui a algumas semanas. A Associação Vila Animal tem promovido, ao longo dos últimos anos, a adoção de centenas de animais mas tem de abandonar o espaço que atualmente ocupa até 31 de dezembro, pois o lugar acaba de ser vendido.
A casa onde estão instalados os cães e gatos da Vila Animal pertencia a Amadeu Bizarro, anterior autarca da freguesia de Santa Maria Maior, e dos irmãos, que “generosamente” cederam o lugar, durante cerca de 9 anos, à associação. “Não me canso de agradecer a generosidade deles porque, nestes anos que aqui estamos, demos muitas centenas de animais e, se não estivéssemos aqui, isso nunca seria possível de fazer”, revelou Maria José Barreiros, presidente da Vila Animal, garantindo que “ nestes 9 anos, a dar cerca de 200 cães por ano, evitamos que muitos cães fossem abatidos”.
No entanto, a casa foi agora vendida e a Vila Animal comprometeu-se a sair até final deste ano. Aos 67 anos, “Zeza” revela que trabalhou num lar de terceira idade durante a vida ativa mas, quando se reformou, por invalidez, optou por “dedicar o resto da vida, diariamente, aos animais”.
“Nós viemos para aqui porque eu ia abrigando, desde há muitos anos, os cães de rua. Pedi este espaço emprestado temporariamente, só que o tempo foi passando, nunca mais arranjamos outro lugar. Entretanto, fomos pedir um terreno na Câmara, a autarquia incentivou-nos a formar uma associação, o que fizemos há 6 anos. A partir dessa data, fomos dar-nos a conhecer como Associação Vila Animal de Viana para nos poderem arranjar um terreno, só que aí a Câmara já não tinha terrenos disponíveis para a associação”, lamentou a responsável.
Maria José mostra-se preocupada com o destino dos cães e gatos que abriga, alguns deles considerados “residentes” na associação. Na manhã em que a Geice visitou o espaço, a Vila Animal recebeu 8 cães bebés, que lhe foram entregues por uma outra amiga dos animais.
“A nossa vida está a basear-se nisto. A nossa história é isto, continuamos sem uma esperança, sem uma luz, sem nada”, revelou, emocionada. “Nós criamos a associação por incentivo da Câmara, foram eles que nos incentivaram a criar a associação em Viana, para nos poderem dar o terreno. Foi apenas o tempo de formarmos a associação, o período foi curto, mas quando lá nos fomos apresentar como associação, já não havia terreno”, contou. A associação de apoio aos animais também se apresentou às 40 anteriores Juntas de Freguesia do concelho vianense, mas apenas meia dúzia lhes deu resposta e se tornaram sócias da associação.
Maria José declara que, ao longo deste ano, já reuniu 3 ou 4 vezes com o autarca de Viana, mas continua sem um espaço para abrigar os animais. “Temos contactado a Câmara Municipal ao longo destes anos, que nos responde com promessas vãs, que não têm sido cumpridas. Queremos um teto para os abrigar. No início, quando contactamos a Câmara, foi-nos prometido um terreno na Praia Norte. Não pedimos à Câmara para construir, nem queríamos que gastasse dinheiro, porque nós conseguíamos, entre amigos, fazer a construção do que fosse necessário”, explicou.
“A única resposta que nos dão é ‘está-se a tratar, está-se a tratar’, mas não passamos disso, não estamos a ver evolução nenhuma. Não temos nada, temos de sair do espaço onde estamos até final deste ano. Ainda não sabemos para onde ir, vamos fazer mais um apelo à Câmara e a todos os cidadãos de Viana que, se nos puderem ajudar, nos ajudem”, refere a responsável.
O espaço onde estão atualmente os animais foi adaptado pela própria associação para poder funcionar como canil/gatil provisório. “Isto era tudo terra. Cimentamos, pusemos telhados novos na casa e muramos. Pusemos telhadinhos térmicos para que os cães tenham algum conforto. É uma coisa da qual não prescindo: que eles tenham não só mimo e comida, mas também conforto”, defendeu a presidente.
Já o presidente da Câmara, José Maria Costa, garante que “os serviços camarários estão a envidar todos os esforços para encontrar, no concelho, um local adequado para aquela estrutura, enquadrado nos instrumentos de gestão do território”. Garante o socialista que a autarquia está a “procurar um terreno que reúna as condições adequadas para receber aquele tipo de estrutura, até para ter um caracter mais definitivo”.
“Não se encontra um espaço com estas características de um dia para o outro. A associação também tem que fazer o seu trabalho, e ajudar a procurar alternativas”, disse o responsável, reconhecendo “um trabalho muito meritório” da Vila Animal, apoiado “por um subsídio mensal” atribuído pela autarquia.
Neste momento, a Vila Animal conta com 360 sócios. Envolvidos no trabalho diário, estão 14 pessoas, entre elementos da direção e voluntários que se “revezam” para garantir comida e higiene aos animais do abrigo todos os dias.
Só em veterinários, conta, gastam cerca de 2.000 euros por mês. “Já esterilizamos colónias de gatos desta cidade, não foram um nem dois. Todos os que apanhamos, esterilizamos, sejam machos e fêmeas”, esclareceu Maria José, acrescentando que as despesas maiores que têm são em “esterilização, chips, vacinas”, já que os sócios e amigos vão ajudando e oferecem ração e areia.
Com a ajuda de uma clínica veterinária local, que é “o braço direito da associação”, a Vila Animal também acolhe gatos. “Trabalhamos com a veterinária Dra. Ana Cardona, que tem uma clínica onde tem espaço e onde construiu dois gatis muito grandes para recolher os nossos gatinhos bebés. Aqui não temos condições para bebés, apenas adultos, porque eles precisam de espaço, medicamentos, são muito sensíveis a doenças. Por isso, todos os gatinhos bebés que podemos recolher, é para ela que vão”, contou Maria José.
Maria José lamenta que a sociedade ainda veja os animais como “coisas” que se podem abandonar. “Um animal, para muita gente, ainda é uma coisa e não interessa que seja um animal. Esquecem-se que um animal tem corpo, físico e sentimentos, embora seja à maneira de um animal. Eu sou a prova disso porque, muitas vezes, quando os donos os entregam aqui, eles deixam de comer, choram – à maneira deles -, ficam dias seguidos sem querer companhia. É através do amor que lhes dedicamos que eles se reabilitam e vão recuperando, aos poucos, da dor que sentiram por serem abandonados pelos próprios donos”, revelou.

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