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admin 24 Nov 2015

Exclusivo: Atleta da Escola Desportiva de Viana viveu de perto atentados de Paris

No rescaldo daqueles que foram os fatídicos atentados de Paris, na sangrenta Sexta-feira 13 de Novembro, Gael Santos, atleta vianense da Escola Desportiva de Viana […]

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No rescaldo daqueles que foram os fatídicos atentados de Paris, na sangrenta Sexta-feira 13 de Novembro, Gael Santos, atleta vianense da Escola Desportiva de Viana a residir em Paris por motivos profissionais, falou em exclusivo à Geice FM de como enfrentou aquelas horas que, para muitos, foram uma eternidade e, para outros, um segundo para passar da vida à morte. Escapou aos atentados com uma estrela da sorte, mas na memória ficará para sempre a crueldade daquela noite, mesmo não tendo perdido nenhum dos seus.
A protecção de Gael começou antes mesmo dos ataques principiarem. Trabalha mesmo ao lado do estádio de france, mas saiu às 19h30 e os terroristas perpetraram o ataques às 21h00.
Nessa hora Gael Santos estava precisamente com uns amigos num restaurante bar no centro de Paris, no bairro 3ème. Às 21h00 começaram a saber dos acontecimentos através de notificações nos telemóveis. Ainda era distante, mas o perigo morava logo ali ao lado. Paris estava em situação de risco total. Contou o atleta da EDV à jornalista Marisa Ribeiro.
“Com o desenrolar dos acontecimentos os empregados do estabelecimento onde estávamos atuaram rápido e frios. Fecharam o estabelecimento com mesas e cadeiras a bloquear as portas pelo lado de dentro. Fizeram-nos descer como medida de segurança até à cave onde permanecemos cerca de 5h30 até podermos sair, mas pela porta de emergência. Os terroristas, depois do atentado no Bataclan, deslocavam-se nessa rua em que nos encontrávamos”.
Impossível esquecer ou limpar aquela imagem de “desconhecimento, medo e insegurança do que se estava a passar ou viria aí…”
Desde esse dia muito mudou. Andar na rua ou nos transportes públicos leva agora Gael, e todos os outros que sentiram de perto esta tragédia, a olhar toda a gente agora um-a-um. No fim de semana que se seguiu, com o clima de insegurança instalado, a situação comum eram as ruas desertas e as pessoas fechadas em casa com medo, e até incerteza.
Gael cumpriu à risca as indicações, não saiu de casa até demovido pelo cansaço. Mais uma vez protegeu-se sem saber.
Na rua da residência do atleta, um veículo belga foi encontrado com três A47 Kalash, situação controlada e normalizada em 2 horas, mas já tinha sido avistado às 11h de Sábado. A isto juntou-se uma mochila, presumivelmente bomba e cinco carregadores cheios e 11 vazios. Um estrela protegeu Gael no meio daquela que será uma história vivida na primeira pessoa e que leva para a vida. A luta de do atleta não foi em qualquer pista de esgrima, mas sim pela sorte de escapar com vida. Não perdeu nenhum dos seus, mas as histórias e os heróis que Paris teve são mais do que muitos.
Entretanto, o cérebro da operação terrorista continuava a monte. Sabe agora que o terrorista foi visto à hora dos atentados no metro que Gael apanha todos os dias para casa. Presume-se que tenha aproveitado a confusão para deixar o carro e fugir naquele meio de transporte, uma vez que é no limite de Paris.
Coincidência, sorte ou protecção o que é certo é que Gael esteve nos sítios certos, mas por felicidade nas horas certas para escapar com vida.
O regresso ao trabalho só na segunda-feira de tarde e sempre com a prudência como máxima de ordem, depois de uma intervenção policial num dos apartamentos dos terroristas, mesmo ao lado do local de trabalho do atleta.
Face àquilo que viveu na cidade luz, como tantos outros emigrantes portugueses, o pensamento de Gael é recorrente e angustiante também: “pensar que no nosso país não acontece tal coisa, mas a este nível aqui ou em Roma, Londres, Sidney, etc…ninguém pode fazer nada com este novo nível de ataques terroristas nunca antes visto. É a nossa geração que está a ser atacada e sem justificação, privando jovens da minha idade de fazer o que qualquer jovem faz de normal”.
Pode de certo modo dizer-se que, neste momento, a situação está calma e normalizada, mas sempre com “a sensação de que pode acontecer em qualquer altura e em qualquer lado. O perigo mora ao lado e, apesar de ter segurança máxima, acho que não é só aqui é em todo lado, na Europa e não só…”
“Estes atentados bárbaros são de uma dimensão horrenda nunca antes vista e, mesmo as estruturas policiais, não estão preparadas para tal coisa. Não podemos fazer nada, apenas seguir as nossas vidas e fazer o dia-a-dia como antes, mas com cuidado. Eu passei por quatro situações perto ou por uma questão de tempo. Tive sorte..mas pode acontecer a qualquer um, as pessoas estão desprotegidas face a este tipo de ataques frios e cruéis, sem cabimento. Há que esperar um mundo melhor e que estes grupos acabem por perceber o anti humanismo e a gravidade dos seus ataques”, desejou.

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