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admin 26 Mar 2016

Judas de Monserrate foi queimado mas deixou recados ao Vianense e para a autarquia

No Sábado de Aleluia, como manda a tradição, o Judas foi queimado em Monserrate. Apesar da chuva intensa que caiu durante a leitura da sentença, […]

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No Sábado de Aleluia, como manda a tradição, o Judas foi queimado em Monserrate. Apesar da chuva intensa que caiu durante a leitura da sentença, os vianenses não abdicaram de assistir ao momento, ouvindo as sempre divertidas “farpas” do testamento. Pelas 11 horas, o Judas saiu da estação de comboios de Viana do Castelo, carregado até à morte. A acompanhá-lo, as carpideiras, que acusavam o juiz de ser um “assassino”. Os vianenses não faltaram à tradição e centenas de pessoas pararam, no percurso que demorou quase uma hora, para ver o Judas a passar. Depois, no Campo D’Agonia, a chuva começou a cair forte, ameaçou estragar a festa, mas a tradição conseguiu cumprir-se. Na leitura da sentença, o Judas deixou as suas afiadas farpas, com críticas certeiras que são sempre motivo de riso entre os que assistem. O Sport Clube Vianense, as eternas obras na Praia Norte e os banqueiros ladrões foram alguns dos visados do Judas, numa iniciativa novamente promovida pela União de Freguesias da Cidade de Viana (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela.
José Ramos, presidente da União de Freguesias, referiu que “procuramos manter a tradição”. “Monserrate sempre honrou esta tradição e nós procuramos mantê-la viva para que os vindouros possam conhecer e reconhecer aquilo que os antigos faziam”, referiu. “Sem grande esforço, gostamos que as pessoas adiram e procuramos dar continuidade a esta tradição”, destacou o autarca local. “As pessoas da ribeira gostam muito deste evento, vivem-no com diversão, e toda a cidade adere. Temos sempre grande afluência de pessoas”, vaticinou.
Eva Freitas, de 45 anos de idade, estreou-se nesta representação. Veio participar como carpideira, chorando a morte do Judas, acompanhada pelos dois filhos. Mudou-se recentemente para Viana e juntou-se à Queima dos Judas por convite de amiga Graça Alves. Natural da Ribeira de Viana, com 49 anos de idade, Graça Alves é presença habitual neste momento. “Há anos e anos que participo, desde sempre”, assumiu. “Fui amante do Judas. Levo o meu ouro, mas quero o resto do dinheiro que ele leva no saco”, contou, divertida. “O meu Judas tem de me dar os trinta dinheiros. Ele tem muitas amantes, mas eu sou a mais cantadeira, por isso quero o meu dinheiro”, assume, encarnando a personagem. “Eu quero é nota. É por causa do dinheiro que há guerra no mundo inteiro”, realça, com entusiasmo. Num tom mais sério, Graça Alves explica que “antigamente tínhamos mais crianças a participar, agora as pessoas são mais idosas, por isso é mais complicado fazer o evento”. “Nós não queremos deixar acabar a tradição, por isso vimos sempre, de qualquer maneira. Muitos ou poucos, há sempre alegria”, realça.
José Vale, de 46 anos, participou na cerimónia representando o escrivão da Queima do Judas. Foi o responsável pela introdução da Sentença, dizendo que foi convidado por um amigo para ajudar à festa. “Faço teatro amador, mas nunca tinha participado. Vesti-me a rigor, para encarnar a personagem”, assumiu.
Aires Cruz, do Grupo de Bombos de Areosa, também se estreou nesta Queima de Judas. Explicou que o grupo foi convidado pela União de Freguesias e foi “com gosto” que se juntou à cerimónia. “O nosso grupo está um bocado parado, trabalha mais nas Festas d’Agonia, por isso foi com gosto que viemos participar”, revelou.

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