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admin 23 Abr 2016

REPORTAGEM: “Caminhada da Liberdade” assinalou 42 anos da Revolução dos Cravos

  Este sábado de manhã, a cidade de Viana do Castelo acolheu a “Caminhada da Liberdade”, iniciativa que pretendia assinalar os 42 anos da Revolução […]

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Este sábado de manhã, a cidade de Viana do Castelo acolheu a “Caminhada da Liberdade”, iniciativa que pretendia assinalar os 42 anos da Revolução dos Cravos, e contou a presença de um vianense que marcou presença no golpe militar que acabou por derrubar o antigo regime. Luís Brito, de 65 anos, explicou à Geice que esteve presente nesta revolução quando tinha 24 anos de idade, tendo participado na ocupação da televisão. “Como miliciano, tinha sido convidado pelo MFA para participar na intervenção militar. No dia 24 de abril, ocupei os estúdios da televisão, em Lisboa, que era onde eu estava colocado”, explicou, dizendo que a ideia era “controlar um meio de comunicação muito importante”. “A missão que nos foi destinada foi essa ocupação, correu bem, e depois participei em todo o processo dos anos seguintes”, disse ainda, dizendo que foi suplente do Norte do MFA.
“Uma das coisas que tenho muito marcada na minha memória foram os momentos a seguir à revolução. Na manhã do 25 de abril, quando estávamos a ocupar a televisão, vimos a adesão das pessoas nas ruas. Percebemos então que aquilo deixara de ser apenas um golpe militar e passava a ser muito mais do que isso”, indicou. Luís Brito recorda que, “de forma espontânea”, as pessoas que entravam em Lisboa “saudavam a intervenção”. O apoio sentido por parte da população desde o primeiro momento deu uma tranquilidade enorme aos militares e foi assim que perceberam que iam “mudar o país”. “Nós tínhamos efectivamente instruções rigorosas para não dar um tiro. Queríamos fazer a revolução sem dar um tiro, sem ferir ninguém. Se analisarmos bem, percebemos que as pessoas que ficaram feridas ficaram-no por causa da reacção que surgiu do outro lado, e foi isso que provocou as mortes que aconteceram”, assegura o ex-militar.
Rui Viana, da comissão organizadora das celebrações do 25 de Abril, assumiu que a “Caminhada da Liberdade” teve início na Praça da Liberdade vianense devido ao “simbolismo” do local. “Já não é a primeira vez que fazemos esta iniciativa, foi uma ideia que surgiu em 2008, que se realizou durante três anos, que esteve parada e foi agora retomada”, afirmou. O responsável refere que a ideia era “percorrer a cidade, recuar no tempo e recordar Abril”, percorrendo diversas artérias da cidade de Viana do Castelo, passando por locais que foram símbolos do anterior regime, como a localização da ex-Mocidade Portuguesa e ex-Legião Portuguesa. “Recordámos Abril também ao recordar pessoas que lutaram contra o anterior regime, muitos anti-fascistas vianenses, como Amadeu Costa, Ribeiro da Silva, Orlando Gonçalves, Manuel Fiúza, Alexandre Rodrigues, entre muitos outros. Felizmente Viana do Castelo teve muitos anti-fascistas, muitas pessoas que lutaram pela liberdade antes do 25 de Abril”, realçou Rui Viana.
Durante a semana de comemorações também levaram o 25 de Abril às escolas, numa experiência que o responsável considerou “muito gratificante”. Para Rui Viana, foi “marcante” poder levar o “ABC de Abril” a escolas do ensino básico do concelho, numa ideia que a comissão promotora já tem desenvolvido nos últimos anos. “Percorremos 26 escolas do ensino básico numa semana, em cinco dias, o que é muito bom. Não fomos a todas, seria impossível, porque não temos meios humanos e financeiros para tal”, destacou, mas assegurou que a iniciativa foi muito bem acolhida. Numa parceria com o Centro Dramático de Viana (CDV), os jovens estudantes puderam assistir à encenação de uma peça em torno da “História de uma flor”, de Matilde Rosa Araújo, com encenação de Raquel Amorim e música do cantor Dario.
Alexandre Marta, de 73 anos, juntou-se à caminhada e, na sua posse, tinha uma cópia do primeiro documento que foi distribuído aos vianeses depois do 25 de Abril. “Foi distribuído no dia 26 de abril em Viana e no dia 27 de abril em todo o distrito”, declarou. “Este foi um documento elaborado por Alexandre Marta e Dr. Ribeiro da Silva. Foi discutido e aprovado numa reunião em que estavam os dois autores, e também Amadeu Costa, Vítor Barros, José Silva, José Castro e Aurélio Barbosa. Juntos, foram os autores deste primeiro documento”, referiu, dizendo que o documento pedia a liberdade de reunião e associação, pedindo a existência de vários partidos políticos.
Ivone Barreto, de 60 anos de idade, também participou nesta caminhada e assegurou que “hoje, mais do que nunca, devíamos estar sempre presentes na defesa da liberdade e da democracia”. “Estamos sempre a ser surpreendidos com situações que nunca imaginávamos, pelo que nunca é de mais estarmos presentes nestes momentos de defesa da vida e da humanidade”, referiu, dizendo que o 25 de Abril foi um dos momentos mais importantes da história política recente do país. “Na altura, eu era uma jovem, muito jovenzinha, e hoje estou a celebrar aquilo que vivi. Tinha 18 anos nessa altura, lembro-me que foi uma grande alegria, sobretudo porque o meu pai era anti-fascista e vivia com receios e temores da PIDE”, revelou a vianense.

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