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admin 08 Ago 2019

Devoção à Senhora d’Agonia “não permitirá” boicote de pescadores na procissão ao mar

José Maria Costa, presidente da Câmara de Viana do Castelo disse hoje “não acreditar” que os pescadores do concelho avancem com um boicote à procissão […]

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José Maria Costa, presidente da Câmara de Viana do Castelo disse hoje “não acreditar” que os pescadores do concelho avancem com um boicote à procissão ao mar durante a Romaria d’Agonia, porque a “fé e devoção” à padroeira “falará mais alto”.

Hoje, no período antes da ordem do dia da reunião camarária de Viana do Castelo, o autarca socialista José Maria Costa, que respondia à interpelação dos dois vereadores do PSD, Paula Veiga e Hermenegildo Costa, recusou essa possibilidade.

Não acredito que a gente da ribeira deixe de fazer a procissão ao mar. Há valores mais altos que se levantam, como a fé e a enorme devoção a Nossa Senhora d’Agonia”, afirmou José Maria Costa.

Na origem de um eventual protesto estará a instalação do Windfloat Atlantic (WFA), um projeto de uma central eólica ‘offshore’ (no mar), ao largo de Viana do Castelo, orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis.

Cerca de oito dezenas de embarcações locais de Viana do Castelo e Caminha reclamam a atribuição de uma compensação pelos prejuízos causados pela interdição da pesca na envolvente (0,5 quilómetros de cada lado) do cabo submarino, com cerca de 17 quilómetros de extensão, que vai ligar o parque eólico flutuante à rede, instalada em Viana do Castelo.

Os pescadores queixam-se de “terem sido excluídos do acordo da compensação de um milhão de euros que a Windplus, titular da Utilização do Espaço Marítimo Nacional, negociou com a associação de pescadores Vianapesca, para compensar 16 armadores potencialmente afetados pela instalação do WFA”.

O autarca explicou que um eventual boicote poderá ter sido equacionado no “calor da discussão” em torno da compensação que os pescadores reclamam, mas sublinhou que “há sentimentos mais fortes que se sobrepõem a essas questões”.

O presidente da Câmara da capital do Alto Minho acrescentou que, na próxima semana, haverá nova reunião entre os pescadores e o secretário de Estado das Pescas, José Apolinário.

A procissão ao rio e ao mar cumpre-se sempre a 20 de agosto, desde 1968. Já o culto à padroeira dos pescadores tem a sua primeira referência escrita em 1744.

Em 2019, completam-se 51 anos da realização da procissão ao mar e ao rio, em honra de Nossa Senhora d’ Agonia. Na segunda-feira, dia 20, feriado municipal, as margens do rio Lima enchem-se. São milhares de pessoas concentradas para ver e saudar a procissão, envolvendo mais de uma centena de embarcações de pesca e de recreio.

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