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Pedro Xavier 30 Jul 2020

Monção vai lutar contra instalação de linha de alta tensão por afetar a paisagem e a economia local

O presidente da Câmara de Monção garantiu hoje "lutar com todas as armas e até às últimas consequências" contra a passagem da linha de alta tensão até Fonte Fria, na Galiza, por afetar a paisagem e a economia local.

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“Monção vai lutar com todas as armas que tiver ao dispor e até às últimas consequências para garantir que esta linha não vai passar pelo nosso território”, afirmou António Barbosa.

A propósito do parecer desfavorável emitido por aquela autarquia do distrito de Viana do Castelo durante o período de consulta pública do projeto, o autarca social-democrata disse que “os territórios de baixa densidade não podem ser só para as coisas más, que ninguém quer”.

“Era bom que estas entidades e que o Governo olhassem para este território para as coisas boas. Quando batemos à porta para pedir ligações na A28, ou para nos resolverem problemas estruturais, era bom que nos abrissem as portas e que não se lembrem de nós, territórios de baixa densidade, só para resolver problemas do país e para as coisas que ninguém quer”, sustentou.

Em causa está a construção de uma linha elétrica de 400 kV desde Fonte Fria, em território galego, Espanha, até à fronteira portuguesa, com o seu prolongamento à rede elétrica nacional, no âmbito da Rede Nacional de Transporte operada pela empresa REN.

Em 2015, o projeto foi “recalendarizado” para ser submetido a novos estudos.

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental, o troço nacional deste projeto prevê a construção de duas novas linhas duplas trifásicas de 400 kV, atravessando, potencialmente, 121 freguesias.

O projeto esteve em consulta pública entre 15 de junho e 24 de julho.

A proximidade desta linha, aérea, às casas, as consequências dos campos eletromagnéticos gerados na saúde humana ou o impacto visual de torres 75 metros com margens de segurança de 45 metros para cada lado são as principais preocupações das populações de ambos os lados da fronteira.

“Acho que ninguém quer uma linha de alta tensão a passar no seu território e Monção não é diferente, com a agravante de ser um território que vive praticamente, em exclusivo, da economia do vinho e do turismo e esta linha vai afetar, em grande parte, essas zonas”, referiu.

No parecer desfavorável que emitiu durante o período de consulta pública do projeto, que atravessa 12 freguesias, a Câmara de Monção argumenta que “a instalação da linha revela, com evidência, um conjunto significativo de contrariedades e adversidades que colocam em perigo a saúde pública, a estratégia municipal de sustentabilidade ambiental e a valorização do turismo de natureza”.

“A eventual concretização desta linha elétrica poderá fragilizar os mais valiosos recursos endógenos do concelho, inviabilizando a dinâmica empresarial das unidades do setor turístico já existentes e os projetos promissores em fase de implementação”, sustenta o parecer.

Segundo aquele município, “mais do que uma linha de muita alta tensão, o território necessita de políticas ativas de valorização dos nossos recursos endógenos, bem como de medidas concretas que favoreçam o equilíbrio ambiental, a promoção social e cultural e a fixação das populações nos meios rurais”.

Foto: Rádio Geice/DR

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