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Pedro Xavier 07 Ago 2020

Caminha, Ponte de Lima e Viana do Castelo pedem ao Governo para manter a “coerência” e “estar ao lado” dos municípios na valorização da Serra d’Arga

Os autarcas de Caminha, Ponte de Lima e Viana do Castelo pediram hoje ao Governo para manter a "coerência" e "estar ao lado" dos municípios na valorização da Serra d'Arga e contra a exploração mineira naquela área protegida.

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“O Governo e o Turismo de Portugal, hoje, reconheceram, mais uma vez, a valia da natureza que está subjacente à Serra d’Arga. Estão a apoiar-nos na valorização dos garranos, nos percursos de valorização natural”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara de Caminha, Miguel Alves, referindo-se à assinatura, hoje, do contrato do projeto Vilas e Aldeias Equestres entre Arga e Lima, no âmbito do Programa Valorizar, num investimento global de mais de 268 mil euros.

O autarca socialista, que falava na sede da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte, em Viana do Castelo, à margem daquela sessão, presidida pela secretária de Estado do Turismo, disse que o “trajeto” que os três municípios “têm feito nos últimos anos e querem continuar, é diferente de outros projetos que existem para a Serra d’Arga”, referindo-se à pretensão de exploração mineira naquela serra.

Segundo a proposta de Orçamento do Estado, o Governo quer criar em 2020 um ‘cluster’ do lítio e da indústria das baterias e vai lançar um concurso público para atribuição de direitos de prospeção de lítio e minerais associados em nove zonas do país.

Devem ser abrangidas as áreas de Serra d’Arga, Barro/Alvão, Seixo/Vieira, Almendra, Barca Dalva/Canhão, Argemela, Guarda, Segura e Maçoeira.

“O Governo, até agora, tem estado ao nosso lado. Os municípios apenas pedem coerência nesta estratégia de valorização do património natural, geológico, paisagístico e cultural da Serra d’Arga.”, sustentou.

Para Miguel Alves, o projeto turístico hoje apresentado, que pretende promover o cavalo de raça garrana, típica daquela zona, “é mais uma peça na estratégia” traçada pelos três municípios.

O socialista defendeu que “os interesses devem ser ponderados”, colocando “num dos pratos da balança a valia paisagística, natural, e o bem-estar da população e, no outro, “a valorização de uma exploração mineira”.

Também o presidente da Câmara de Ponte de Lima, Victor Mendes (CDS), exigiu “respeito pelas populações, pelos autarcas, pelos valores ambientais, culturais e patrimoniais da Serra d’Arga”.

“Se esses valores forem respeitados, não tenho a menor dúvida que a exploração de lítio na Serra d’Arga não é compatível”, reforçou, garantindo que a estratégia de valorização que as autarquias definiram para a Serra d’Arga é “inequivocamente a correta”.

“Acho que irá imperar o bom-senso. Se queremos falar de economia, este é que é o caminho, o que estamos a trilhar, a favor da economia e das nossas populações. Não é o outro caminho”, acrescentou.

O presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, realçou a “unanimidade” dos autarcas e adiantou que “o Governo vai ter o bom-senso de continuar a apostar na Serra d’Arga como um território de paisagem protegida, de valores patrimoniais e culturais e onde as explorações não fazem sentido”, disse.

A serra d’Arga, abrange uma área de 10 mil hectares, nos concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira, Paredes de Coura, Viana do Castelo e Ponte de Lima, dos quais 4.280 hectares se encontram classificados como Sítio de Importância Comunitária.

Aqueles cinco municípios têm em curso o projeto “Da Serra d’Arga à Foz do Âncora”, liderado pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, que visa a classificação da Serra d’Arga como Área de Paisagem Protegida de Interesse Municipal.

O projeto Vilas e Aldeias Equestres entre Arga e Lima representa um investimento de 268 mil euros e é apoiado pelo Turismo de Portugal no âmbito do Programa Valorizar com uma verba de 95 mil euros.

O projeto, já em curso e com conclusão prevista para dezembro 2021, prevê a “criação de uma rede intermunicipal de percursos equestres sinalizados e interpretados entre a Serra de Arga e o vale do Lima, com ligação aos percursos já existentes ao longo da Ribeira Lima desde a área urbana de Viana do Castelo até Lanheses.

A iniciativa contempla ainda a “criação de uma rede certificada, sinalizada e divulgada de prestadores de serviços turísticos”.

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