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Pedro Xavier 27 Out 2020

Criado Prémio Amadeu Costa para “perpetuar espírito, obra e amor” de etnógrafo vianense

A Câmara Municipal de Viana do Castelo, com o objetivo de “perpetuar o espírito, a obra e o amor de Amadeu Costa na preservação e valorização da cultura tradicional de Viana do Castelo”, para promover a leitura das suas obras e para aprofundar o conhecimento das tradições e romarias do concelho, vai criar o Prémio Amadeu Costa, que será promovido anualmente e irá distinguir trabalhos realizados por alunos do ensino secundário e universitário no âmbito dos “Usos e Costumes, artes e tradições vianenses” e “Romaria da Senhora d’Agonia”.

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O anúncio foi feito pelo autarca vianense, José Maria Costa, durante a Sessão Solene Comemorativa do centenário do nascimento de Amadeu Costa, que aconteceu no Teatro Municipal Sá de Miranda, no dia em que se assinalaram 100 anos do nascimento da personalidade vianense.

No âmbito das comemorações, o Salão Nobre do Teatro Municipal passou a ostentar o nome de Amadeu Costa, em homenagem a um homem que marcou a história e a cultura vianense. O “Salão Amadeu Costa” foi inaugurado com uma exposição sobre a atividade que o etnógrafo promoveu ligada ao teatro vianense e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 17h00.

Foi também inaugurada, no Museu do Traje, a exposição temporária “Amadeu Costa – Centenário do Nascimento”. Durante a inauguração da exposição, a família ofereceu ao Município de Viana do Castelo a pintura “Retrato de Amadeu Costa”, da autoria de Salvador Vieira. A obra, com 150x120cm de dimensão, integrará a coleção de pintura do Museu de Artes Decorativas, mas fica, enquanto decorrer a exposição temporária, patente no Museu do Traje.

Amadeu Alberto Lima da Costa foi etnógrafo, investigador e dinamizador cultural. É uma figura incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo pelo estudo e divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida. Sempre assumiu o seu amor pela divulgação dos usos e costumes locais, mormente o traje à vianesa, além da organização das Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia, que ajudou a promover durante cerca de trinta anos, enquanto membro da Comissão de Festas.

Nasceu a 23 de outubro de 1920 e faleceu em 30 de março de 1999, em Viana do Castelo. Nascido no bairro da Ribeira, na Rua do Loureiro, troço atualmente denominado Rua Monsenhor Daniel Machado, foi um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo. No momento da aquisição do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aí se realizou. Também por esta razão, o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Falecido em 1999, a família, num ato de generosidade, estabeleceu com a autarquia vianense um protocolo de doação de uma valiosa coleção de trajes que pertenciam a Amadeu Costa ao Museu do Traje. Esta doação incluiu 750 peças e 53 de trajes completos, incluindo algibeiras, aventais, saias, coletes, casacas, camisas, lenços, calçado, meias, toalhas e trajes de homem e mulher, enriquecendo o património do espaço museológico.

Como profissão principal tinha a de técnico de contas. Trabalhou, enquanto estudante, no jornal “A Aurora do Lima”, onde deu os primeiros passos no jornalismo. Nos anos 1960/70, foi correspondente dos jornais lisboetas “O Diário de Lisboa” e” A Capital”. Nos anos 1950/60, esteve ligado à Fábrica de Louça da Meadela. Nesse período de grande criatividade e renovação da cerâmica aí produzida, supervisionou as mostras organizadas com grande êxito em diversos locais do país.

Calígrafo iluminador, executou vários pergaminhos, alguns em parceria com Araújo Soares, destinados a entidades diversas, entre elas a Presidência da República Portuguesa e a Rainha Isabel II de Inglaterra.

Foi condecorado por imensas instituições, destacando-se a medalha de ouro da cidade de Viana do Castelo, com a qual foi agraciado em 1989. 

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