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Pedro Xavier 24 Abr 2022

Carlos Silva deixa liderança da UGT mas continuará a defender trabalhadores

O socialista Carlos Silva deixa a liderança da UGT, após nove anos de crises, alguns murros na mesa, relações distantes com o PS e com a CGTP, prometendo continuar a defender os trabalhadores na concertação social da Europa.

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Eleito secretário-geral da UGT no congresso de abril de 2013, Carlos Silva disse logo que não pretendia permanecer muito tempo tempo no lugar, mas queria deixar a sua marca: aproximar a central dos trabalhadores e da sua congénere, a CGTP.

Ao longo dos dois mandatos que cumpriu percorreu o país de uma ponta à outra, deslocando-se a empresas, câmaras municipais e escolas para contactar com as diferentes realidades e falar com os trabalhadores.

Instituiu uma nova forma de a UGT comemorar o Dia do Trabalhador, na rua, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, ou em qualquer outra cidade do país, mas não deu à central um cariz contestatário.

Em entrevista à agência Lusa garantiu que a central irá manter a sua postura de diálogo e negociação e disse ter feito todos os esforços, enquanto secretário-geral da UGT, para que a unidade interna se mantivesse, por considerar que ela é essencial para defender os trabalhaadores.

Após a sua primeira eleição Carlos Silva prometeu fazer a diferença e deu vários murros na mesa para mudar as coisas, nomeadamente na concertação social, nem sempre com resultados, mas nunca desistiu “porque os trabalhadores foram muito castigados” nos últimos anos, nomeadamente com medidas de austeridade definidas no acordo de concertação social de 2012, subscrito pela central sindical.

O sindicalista não conseguiu a aproximação à CGTP, devido a dificuldades inerentes às diferenças dos projetos sindicais, nem sequer ao secretário-geral do PS, António Costa, por motivos que ainda não desvendou.

Depois dos nove anos de liderança da UGT, marcados por crises sucessivas, Carlos Silva vai deixar o sindicalismo ativo este fim de semana, mas vai continuar a representar a central sindical no Comité Económico e Social Europeu (CESE) até setembro de 2025, com a convição que ali ajudará a desbloquear muitos dos problemas dos trabalhadores.

O sindicalista integra o CESE desde 2015.

Carlos Silva, 60 anos, irá comemorar o próximo 1.º de Maio já na condição de reformado, pois, por coincidência, será nessa data que abandonará formalmente a sua atividade profissional no Novo Banco, a cujos quadros ainda pertence.

Licenciado em Relações Internacionais, Carlos Silva, entrou para o Banco Espírito Santo (BES) em 1988, ano em que foi eleito presidente da distrital de Lisboa da Juventude Socialista.

Foi dirigente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas entre 1997 e 2000 e depois integrou a direção do Sindicato dos Bancários do Centro (CBC), tendo assumido a presidência deste sindicato em 2007 e até 2015.

É militante do Partido Socialista (PS) e integrou a Juventude Socialista aos 14 anos, tendo sido apoiante da candidatura de António José Seguro à liderança da JS e a secretário-geral do partido.

É Presidente da Assembleia Municipal de Figueiró dos Vinhos e membro da Comissão Nacional e da Comissão Política Nacional do PS.

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