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17 Jun 2022

Viana do Castelo tem um novo alojamento em terra e no mar

Pedro Xavier

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João Pacheco, armador de pesca de Viana do Castelo transformou um antigo estaleiro naval da ribeira em unidade hoteleira e juntou ao projeto um iate, para receber hóspedes no rio ou no mar, num investimento de 1,5 milhões de euros.

“Sempre tive o sonho de ter um projeto turístico na minha ribeira, onde o meu avô nasceu. Mas tinha de ser um projeto com ligação ao mar, onde me fiz armador e onde sou mestre do Santa Maria das Areias”, afirmou Pacheco.

Do prédio, onde em 1920 funcionava o antigo calafate, nome atribuído à oficina que construía pequenas embarcações de pesca ou lazer e que chegou a ser uma espécie de estalagem, sobrou apenas fachada.

No interior, do rés-do-chão ao segundo andar, tudo foi reconstruído para dar lugar a cinco apartamentos, com capacidade para receber 30 hóspedes.

A obra começou em 2019 e o alojamento local abriu portas na quinta-feira, “para já com quatro trabalhadores, mas a intenção é criar 12 postos de trabalho”.

“Além destes empregos diretos, há empresas que vão passar a trabalhar para o empreendimento hoteleiro, movimentando a economia da cidade”, sublinhou João Pacheco.

O empreendimento hoteleiro está situado em pleno Campo d’Agonia, próximo do templo dedicado à padroeira dos pescadores, em frente ao Castelo Santiago da Barra e aos estaleiros navais.

O Atrium Areias deve o seu nome ao Areias, alcunha do avô, e Atrium por estar localizado no interior da antiga muralha medieval de Viana do Castelo de que ainda hoje restam exemplares espalhados pela cidade.

A decisão de amuralhar Viana do Castelo pertenceu ao rei D. Afonso III, mas as primeiras referências escritas à muralha surgem durante o reinado de D. Fernando, razão pela qual se lhe atribui o nome de muralha fernandina.

Cada um dos cinco apartamentos, três T1 e dois T2, um destes ‘duplex’, recebeu o nome das cinco portas da muralha medieval, cujo significado é explicado nas placas informativas colocadas.

A porta da Ribeira, que dava acesso ao arrabalde da ribeira, a da Piedade, por ser a saída para o cemitério, a do Cais, para uso dos guardas ou mareantes, durante a noite e para abastecimento, em caso de cerco, a Porta de Santiago, assim chamada por ser por ali que saíam os peregrinos rumo a Santiago de Compostela, na Galiza, e a de São Brás, que o povo rebatizou como porta da Senhora da Vitória dada a proximidade da capela com invocação mariana.

A muralha foi inicialmente construída com quatro portas, mas no final do século XV foi aberta uma quinta com o objetivo de possibilitar o acesso ao interior do burgo a partir do cais da Vitória – a porta de São Brás, mais tarde chamada da Vitória após a construção da Capela de Nossa Senhora da Vitória.

Ao alojamento em terra, João Pacheco fez questão de associar o My Way, um iate com capacidade para acolher seis pessoas.

“É um hotel de cinco estrelas na água. Estou ligado ao mar e do mar não quero sair”, garantiu João Pacheco.

Serão os hóspedes a decidir o rumo que o iate irá tomar, ou atracado na marina, no rio Lima, ou zarpando para o mar. A embarcação pode ainda ser alugada para festas ou outro tipo de eventos.

A ideia do projeto turístico nasceu em família, durante viagens pelo mundo.

“Longe de casa sentimos falta de casa e assim pensámos o projeto. Queremos que os nossos hóspedes se sintam em casa, fora de casa”, explicou.

A primeira experiência na hotelaria vai ser gerida em família. João Pacheco não vai largar o leme do Santa Maria das Areias, atracado bem próximo, no cais da ribeira e que dá trabalho a 10 pescadores.

Em terra, a mulher, a filha Juliana, de 25 anos e licenciada em Direito, e o filho João, de 16 anos, ainda no secundário, vão gerir a unidade hoteleira.

A mãe Rosa foi nomeada gerente, Juliana Pacheco, a frequentar o mestrado em economia digital, diretora de marketing e o João, praticante de vela e surf, vai trabalhar com parceiros locais, como o Surf Clube de Viana do Castelo, para proporcionar aos turistas a prática de desportos náuticos na praia do Cabedelo, em Darque.

“O objetivo, mais do que alojar, é dar a conhecer a cidade e oferecer aos turistas a oportunidade de vivenciar a cidade”, explicou Juliana.

O pai João quer que o negócio familiar faça jus ao lema da cidade: “Quem gosta vem, quem ama fica”.

Fotos: Rádio GEICE / DR

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