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Nacional

23 Set 2022

Médicos oftalmologistas querem sensibilizar para as doenças da retina

Pedro Xavier

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A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) e o  Grupo de Estudos da Retina (GER), com o apoio da Roche, lançaram, a propósito do Dia Mundial da Retina, um filme de sensibilização nacional para a promoção da saúde ocular e prevenção de casos de cegueira, onde Ana Zanatti é a protagonista.

’Dê um final diferente ao filme da sua vida’ é o nome do filme que será transmitido online, nas redes sociais dos promotores da campanha, e em 208 ecrãs dos cinemas NOS, de todo o país, antes do início de cada filme, até dia 6 de outubro.

Inquéritos realizados na população americana mostram que a perda de visão é um dos acontecimentos de saúde com maior impacto e gravidade para os doentes, preferindo muitos dos afetados perder um membro do que a visão”, refere Ângela Carneiro, Presidente do GER. Mas apesar de existir forma, através de um diagnóstico precoce, de travar a perda de visão, as doenças da retina continuam a roubá-la.

Rufino Silva, Presidente da SPO, reforça que, “pela sua prevalência e sobretudo pela possibilidade de causarem perda de visão e cegueira irreversíveis, a degenerescência macular da idade (DMI) e a retinopatia diabética devem merecer uma atenção muito particular. De facto, estas duas doenças são as principais causas de perda grave de visão e de cegueira em Portugal.”

Tanto a SPO e o GER deixam algumas notas importantes acerca da DMI: é uma doença em que, com a idade, ocorre uma deterioração progressiva das células existentes na retina, responsáveis pela nossa visão de pormenor, afetando indivíduos com mais de 50 anos, mas cuja prevalência aumenta com a idade, de modo quase exponencial.

Durante anos, a DMI pode permanecer assintomática ou apresentar sintomas discretos como alguma dificuldade de leitura – algo difícil de valorizar numa população mais idosa. Com a evolução para estádios mais avançados, podem ocorrer perdas visuais geralmente mais marcadas num dos olhos e de início relativamente súbito, distorção das imagens e manchas fixas no campo visual, que geralmente interferem com a visão central. Quando isto acontece, deve ser motivo de alerta para procurar uma consulta de oftalmologia num prazo de dias.

Já a retinopatia diabética, explica Ângela Carneiro, “é o conjunto de lesões que podem surgir na retina das pessoas com diabetes” e é “a primeira causa de cegueira na população portuguesa entre os 20 e os 70 anos”, existindo “cerca 360.000 portugueses com lesões na retina que resultam da diabetes”.

“De facto, um diabético nunca deve esperar pelos sinais ou sintomas da doença para ir ao médico oftalmologista ou fazer o rastreio. O diabético tipo 2 deve consultar o médico oftalmologista ou fazer um rastreio logo após o diagnóstico da diabetes; já o diabético tipo 1 deve ter uma primeira consulta oftalmológica 5 anos após o diagnóstico. O acompanhamento contínuo é fundamental.”, confirma ainda Rufino Silva.

Com prevenção e o tratamento atempado, os especialistas reforçam que se consegue evitar mais de 90% da perda grave de visão e da cegueira.  Contudo, esses números estão longe de ser alcançados uma vez que muitos doentes só procuram ajuda em fases avançadas da doença – algo que se agravou depois da pandemia de Covid-19.

Seja a retinopatia diabética ou a DMI, “a saúde ocular é um bem demasiado precioso para que não o cuidemos adequadamente: todas as pessoas com estas doenças da retina devem ser observados pelo médico Oftalmologista, ou no caso da diabetes podem efetuar o rastreio da retinopatia diabética através do seu Médico de Família, sendo orientados para o Médico Oftalmologista, se necessário”, defende Rufino Silva.

Ângela Carneiro aconselha, por isso que: “todos os indivíduos – mas sobretudo os acima dos 50 anos – deviam ser observados por Oftalmologia. Consciencializar as pessoas é uma das melhores maneiras de detetar doentes em risco de perda visual. Por outro lado, um doente consciente dos seus riscos e opções consegue, com mais facilidade, fazer um seguimento adequado e estar atento ao desenvolvimento de sintomas”.

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