De acordo com a organização, o festival conjuga a exposição “Arte na Terra”, instalada em locais inusitados da paisagem, tertúlia interdisciplinar “Âncoras Culturais”, animação musical e concertos de raiz galaico-minhota, oficina de instrumentos tradicionais, ação de reflorestação, jogos ancestrais, teatro popular, queimada celta, degustação gastronómica e uma caminhada de imersão na natureza e no património, promovida com o apoio do Geoparque Litoral de Viana do Castelo.
A exposição artística “Arte na Terra”, inaugura dia 13 de março, pelas 18h, e estará patente até 5 de abril. Reúne mais de duas dezenas de intervenções criativas em diálogo com a natureza, a paisagem e a memória do lugar.
“Dez artistas nacionais e internacionais transformam o território num espaço de descoberta e contemplação, criando intervenções e obras que se distribuem entre a Fábrica de Memórias (antiga escola primária) e vários pontos da paisagem envolvente, formando um percurso artístico ao ar livre onde natureza, cultura e criação se entrelaçam”, refere o festival.
Entre os participantes destacam-se Henrique do Vale e Nettie Burnett, cujas obras poderão ser visitadas tanto em espaço expositivo como na paisagem. A mostra integra ainda os artistas Agustín Bastón, Ana Cruzeiro, Cipriano Oquiniame, Fernanda Vilas Boas, Gonçalo Martins, João Rego, Monica Taboada Veiga e Vasco Sá-Coutinho, num conjunto plural de linguagens artísticas que exploram a relação entre território, natureza e comunidade.
A tertúlia “Âncoras Culturais”, decorrerá na mesma tarde, pelas 18h30, contando com a participação de personalidades ligadas à reflexão cultural, identitária e territorial do Alto Minho, entre antropologia, história, geografia, economia e geologia, nomeadamente Álvaro Campelo, José Carlos Loureiro, Miguel Costa, Rodrigo Pita Meireles e Ricardo Carvalhido.
Na noite de sexta-feira, pelas 22h, serão atribuídas as menções de mérito “Sábio da Memória do Âncora”, reconhecimento simbólico, deliberado por um conselho multifacetado, que visa distinguir personalidades do espaço galaico-minhoto cujo percurso científico, cultural, empreendedor ou comunicacional tenha contribuído de forma relevante para a valorização e difusão desta herança cultural atlântica.
O Festival Galaico do Vale do Âncora é “um convite da população de Freixieiro de Soutelo, pioneiros nesta primeira edição, a participar de um vasto programa que se entende ao longo de um fim-de-semana repleto de experiências para todas as idades e públicos, vividas em ambiente de partilha e cocriação comunitária. Assume como objetivos centrais promover a descentralização da cultura, reforçar o sentido de pertença e capitalizar a identidade como fator de inovação”.
Um dos eixos estruturantes do Festival centra-se nas matrizes culturais atlânticas — frequentemente associadas à herança celta — e nas identidades galaico-minhotas e transfronteiriças, promovendo o estudo, a divulgação e a valorização do património material e imaterial do Vale do Âncora.
O Festival Galaico do Vale do Âncora é organizado por uma equipa multidisciplinar, em articulação com artistas, agentes culturais e entidades locais, sendo promovido pela Junta de Freguesia de Freixieiro de Soutelo, com o apoio da Câmara Municipal de Viana do Castelo, entre outros parceiros.