O requerimento do BE foi entregue na quinta-feira na Assembleia República e exige esclarecimentos aos ministérios do Ambiente e Energia e da Saúde sobre o mesmo problema na albufeira em As Conchas, na Galiza, que afeta o troço internacional do rio Lima.
A albufeira do Lindoso é uma massa de água transfronteiriça que se estende entre Espanha e Portugal, sendo que o rio Lima percorre 67 dos seus 108 quilómetros em território nacional, atravessando o Parque Nacional da Peneda-Gerês, a única área classificada com este estatuto no país.
“A propagação dos contaminantes ao longo do curso do rio ameaça diretamente este ecossistema único, os seus habitats protegidos, a fauna selvagem e as comunidades que dele dependem. A coloração verde intensa já visível nas albufeiras é o sinal mais imediato de uma degradação que, se não for travada, se tornará irreversível”, refere.
Para o BE, trata-se de “uma situação de emergência ambiental e de saúde pública” que o Movimento para a Defesa do Rio Lima e a Asociación Local de Vecinos de As Conchas têm vindo a alertar”.
Segundo os ambientalistas, verifica-se “a existência de um importante ‘bloom’ de cianobactérias nestes sistemas hídricos, com identificação de géneros como microcystis e aphanizomenon, associados à produção de toxinas perigosas para a saúde humana, fauna e ecossistemas aquáticos”.
“Análises laboratoriais realizadas pela associação de moradores de As Conchas revelaram níveis extremamente elevados de contaminação microbiológica, incluindo a deteção de até 97 milhões de bactérias altamente perigosas por litro de água, associados à eutrofização provocada por excesso de nutrientes, alegadamente provenientes de efluentes da pecuária intensiva”, indica o deputado Fabian Figueiredo.
No requerimento, o BE diz que “as toxinas produzidas por estas cianobactérias, microcistinas (hepatotóxicas), saxitoxinas (neurotóxicas) e cilindrospermopsina (citotóxica), são capazes de provocar danos graves e irreversíveis no fígado, sistema nervoso e rins, e de alterar o material genético”.
“O risco é real e imediato: qualquer pessoa que contacte com esta água, seja através do consumo, da pesca ou da utilização recreativa, está potencialmente exposta. Não existem limiares seguros de exposição conhecidos para algumas destas toxinas”, sustenta.