A “Vila das Artes” volta a assumir o seu papel como capital da arte contemporânea. De 18 de julho a 30 de dezembro, a XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC) desafia o público a refletir sobre o conceito de limite com o tema “Territórios sem Fronteira”. Sob a direção artística de Mafalda Santos, o evento propõe cinco meses de uma programação densa que atravessa exposições, cinema, residências artísticas e conferências.
O coração desta edição é o Concurso Internacional, que selecionou 36 artistas de 14 países. Portugal, Espanha e Brasil dominam o eixo lusófono e ibérico, mas a exposição estende-se a criadores de Taiwan, Moçambique, Equador e Estados Unidos. As obras exploram a fronteira não apenas como uma linha geográfica entre o Minho e a Galiza, mas como um espaço simbólico de migração, identidade pós-colonial e tensão entre o físico e o virtual.
Entre os momentos altos da XXIV BIAC destaca-se a exposição “Luso Lunar”, uma homenagem a Silvestre Pestana. O artista, pioneiro da arte tecnológica em Portugal, detém o recorde de ter participado em todas as edições da Bienal desde a sua fundação, em 1978. A mostra revisita o seu percurso desde os anos 70 até à atualidade, incluindo a emblemática escultura em néon “Rio: Água e Sangue”.
Outro dos grandes nomes desta edição é a artista francesa ORLAN, uma das figuras mais influentes da performance mundial. Nos dias 16 e 17 de outubro, a artista estará em Cerveira para uma conferência e uma reinterpretação da histórica performance “S’habiller de sa propre nudité”.
A programação divide-se em vários núcleos estratégicos:
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¿De qué casa eres?: Uma exposição que pensa a diáspora e a memória, reunindo artistas que vivem entre culturas e línguas.
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BIOGRAF’26: Entre 7 e 9 de agosto, o cinema entra na Bienal para dialogar com as artes plásticas, apresentando documentários, ensaios fílmicos e conversas com realizadores.
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Pavilhão de Macau: Com o projeto Error Island, de Cai Guojie, reforçando o intercâmbio com o Oriente.
A Bienal de 2026 afirma-se também pela sua descentralização. O projeto “Vai-Vem” leva residências artísticas às 15 freguesias do concelho, enquanto na Serra d’Arga, o projeto “Ocre” (de Alexandre Delmar) explora a memória da exploração mineira do volfrâmio em colaboração com o Grupo de Bombos de Covas.
“Num mundo marcado pela instabilidade e pela redefinição de fronteiras, propomos a arte como lugar de escuta e resistência”, afirma a organização. A Bienal de Cerveira reafirma-se, assim, como uma plataforma onde a memória histórica se cruza com a urgência do presente.