O Departamento de Investigação Criminal de Braga da Polícia Judiciária (PJ) desmantelou um plano de extorsão que visava obter dezenas de milhares de euros através da ameaça de exposição da vida íntima. A operação, denominada “Entrega Vigiada”, culminou na detenção em flagrante delito de um jovem de 21 anos, cujo envolvimento chocou pela proximidade com o denunciante.
A investigação teve início após a denúncia de uma vítima que estava a ser alvo de chantagem. O criminoso exigia uma quantia astronómica para não divulgar situações relacionadas com a vida íntima da pessoa visada. Sob a supervisão da PJ, foi combinado um encontro para a entrega do dinheiro, que o chantagista acreditava ser o pagamento pelo seu silêncio.
O suspeito apresentou-se no local previamente definido com precauções extremas: conduzia uma viatura com as matrículas ocultadas e escondia o rosto com um passa-montanhas. No entanto, assim que foi abordado pelos inspetores da Polícia Judiciária, o cenário de filme de ação rapidamente se desmoronou.
Ao ser confrontado pelas autoridades, o jovem tentou uma fuga apeada, mantendo sempre consigo o pacote que julgava conter o dinheiro da extorsão. Durante a perseguição, o suspeito acabou por embater numa das viaturas policiais do dispositivo operacional, sofrendo ferimentos ligeiros.
Face ao embate, foi acionado o sistema de emergência médica, tendo o detido sido transportado para o Hospital de Ponte de Lima. Após avaliação clínica, confirmou-se que o jovem estava “plenamente consciente e orientado”, apresentando apenas escoriações leves.
O momento mais surpreendente da operação ocorreu durante a identificação do detido. Os inspetores da PJ apuraram que o chantagista era, afinal, um familiar próximo da vítima, que utilizava o conhecimento da sua intimidade para tentar lucrar com o medo e a vulnerabilidade do denunciante.
No âmbito da operação, foram apreendidos a viatura, o passa-montanhas e outros objetos utilizados na execução do plano criminoso.
O arguido foi restituído à liberdade após receber alta hospitalar, ficando a aguardar o desenrolar do processo. O inquérito prossegue agora sob a tutela do Ministério Público de Ponte de Lima, que investiga os contornos deste crime de extorsão no seio familiar.