À medida que a União Europeia avança para a fase de implementação do histórico AI Act, a voz da academia e da inovação portuguesa ganha um lugar de destaque em Bruxelas. Abel Dantas, docente e investigador da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), foi nomeado para o AI Act Advisory Forum, o órgão consultivo que servirá de braço técnico à Comissão Europeia nos próximos anos.
A nomeação de Abel Dantas não é apenas um reconhecimento académico; é estratégica. Especialista em sistemas distribuídos, o investigador traz para a mesa de negociações europeia uma visão técnica sobre como a infraestrutura tecnológica deve suportar as exigências de segurança e transparência impostas pela nova lei.
Diferente de outras comissões políticas, o Advisory Forum é desenhado para ser multidisciplinar. Abel Dantas representa uma nova geração de especialistas que combina a investigação de ponta na FEUP com o associativismo tecnológico, através da sua ligação à Cooptech. Esta dualidade permite uma análise pragmática sobre como o regulamento afetará tanto os gigantes tecnológicos como as cooperativas e PMEs do setor digital.
O AI Act é a primeira legislação abrangente do mundo a tentar domar os riscos da inteligência artificial sem sufocar a inovação. O fórum onde o especialista português agora se insere terá um papel crítico em áreas como:
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Supervisão de modelos de IA de alto risco;
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Definição de normas técnicas para transparência;
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Apoio à governação da IA em todos os Estados-membros.
O grupo, que já teve a sua sessão inaugural em junho, funciona como um elo de ligação entre o Gabinete de IA da Comissão Europeia e a sociedade civil, garantindo que a lei não se torne um documento obsoleto face à velocidade da evolução tecnológica.
Portugal na vanguarda da governação digital
A integração de um investigador português neste fórum reforça a posição de Portugal — e especificamente da FEUP — como um polo de competência em governação digital e sistemas computacionais complexos.
Para Abel Dantas, este desafio individual é também um reflexo da vitalidade do ecossistema de engenharia informática em Portugal. O seu contributo no PRODEI (Programa Doutoral em Engenharia Informática) e na docência universitária será agora enriquecido pela experiência direta na “sala das máquinas” da regulação europeia, transferindo conhecimento crítico de Bruxelas diretamente para os futuros engenheiros portugueses.