A Igreja de S. Domingos, um dos marcos históricos e espirituais de Viana do Castelo, encheu-se de fiéis para as celebrações em honra de S. Bartolomeu dos Mártires. A solenidade, que evoca a memória do antigo Arcebispo de Braga e figura central do Concílio de Trento, serviu como um momento de profunda ação de graças e renovação do compromisso cristão para a comunidade vianense.
A celebração eucarística foi presidida pelo Bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador, que, na sua homilia, traçou um paralelo entre o contexto bíblico e a vida do santo. Partindo da parábola do trigo e do joio, o prelado lançou um desafio à comunidade: a necessidade de acolher a Palavra de Deus como uma semente viva, capaz de transformar o interior de cada ser humano.
“É necessário escutar, compreender e deixar que a Palavra entre verdadeiramente no nosso ser”, sublinhou D. João Lavrador. O Bispo destacou que, num mundo marcado por ritmos acelerados e incertezas, os cristãos são chamados a ser a “boa semente” através da vivência quotidiana dos valores evangélicos.
Numa reflexão sobre o mistério do bem e do mal, o Bispo diocesano deixou um apelo à paciência e à confiança no tempo de Deus. D. João Lavrador descreveu o presente como um “tempo de graça” — um período de convivência, testemunho e purificação onde cada crente tem a oportunidade de crescer e dar fruto.
O exemplo de S. Bartolomeu dos Mártires, canonizado pelo Papa Francisco em 2019, foi apresentado como o modelo ideal deste crescimento. A sua vida, marcada pela humildade, pela dedicação incansável à Igreja e pelo serviço aos mais pobres, continua a ser, séculos depois, um farol de justiça e amor para a sociedade contemporânea.
A celebração terminou com um convite direto à ação: que cada membro da comunidade assuma uma presença ativa e transformadora na sociedade, pautada pela verdade e pela caridade.
S. Bartolomeu dos Mártires escolheu Viana do Castelo e o Convento de S. Domingos para viver os seus últimos dias, e a sua presença permanece viva não apenas no túmulo que ali se encontra, mas na devoção de um povo que vê nele um exemplo de santidade próxima e comprometida com as causas humanas.