Até 23 de agosto, Viana do Castelo será palco de nove dias de fé, tradição, cultura popular e celebração comunitária.
Sob o lema “Um só coração”, a edição de 2026 mobiliza mais de 15 mil participantes, colaboradores e voluntários, numa celebração que continua a juntar várias gerações em torno das tradições da cidade.
Só nos diferentes quadros, desfiles, cortejos e grupos folclóricos, de bombos, gigantones e cabeçudos, a festa mobiliza cerca de 10 mil participantes, aos quais se juntam cinco mil colaboradores e voluntários.
“A edição de 2026 coloca no centro aquilo que mantém esta tradição genuinamente viva: as pessoas e o amor com que, de geração em geração, a comunidade preserva e transmite os seus usos e costumes. Está nas famílias que guardam, vestem e ensinam a trajar, nos artesãos que mantêm saberes antigos, nos músicos e grupos folclóricos, nos pescadores que engalanam os barcos, nas gentes da Ribeira que passam a noite a preparar os tapetes de sal para “a Senhora passar” e nos muitos jovens que hoje assumem esse legado como seu”, refere a VianaFestas em comunicado.
“O coração que dá forma ao conceito encontra também expressão na profunda religiosidade de Viana do Castelo: do Sagrado Coração de Jesus, venerado no Santuário de Santa Luzia, elevado a Basílica Menor em 2025, à devoção a Nossa Senhora d’Agonia, particularmente ligada à comunidade piscatória”, acrescenta.
O trajar, a preparação dos andores e dos barcos, os tapetes e as procissões são diferentes manifestações de uma fé que sai dos templos e é vivida por toda a cidade. “Esta Romaria só é possível porque Viana do Castelo a vive por inteiro. Recebemos este legado de outras gerações e é extraordinário ver tantos jovens quererem continuálo. Não é uma tradição encenada, é uma tradição vivida e partilhada”, afirma Manuel Vitorino, presidente da VianaFestas.
Entre as novidades está “Domingar na Romaria”, novo desfile que estreia a 16 de agosto e recupera o Traje de Domingar e o hábito de vestir a rigor para os domingos e ocasiões especiais.
Seguem-se a Praça da Música, a Festa do Traje e, no dia 19, um dos momentos mais emblemáticos da festa: o Desfile da Mordomia, que volta a encher as ruas de centenas de mulheres trajadas e ouradas.
Na noite de 19 para 20 de agosto, a Ribeira transforma-se. Centenas de mãos trabalham mais de 30 toneladas de sal colorido em seis ruas, enquanto os pescadores ornamentam as embarcações.
No dia seguinte, milhares de pessoas acompanham a Procissão ao Mar, que reúne mais de uma centena de barcos em torno da devoção a Nossa Senhora d’Agonia.
A Romaria dos Pequeninos aproxima as novas gerações das tradições; a Feira de Artesanato dá espaço aos saberes e ofícios tradicionais; e, no dia 22, o Cortejo Histórico e Etnográfico, este ano subordinado ao tema oficial “Lendas de Amor”, volta a transformar as ruas num museu vivo, com mais de três mil figurantes, dezenas de carros alegóricos e a participação das freguesias do concelho. É o amor pela história e pela etnografia de Viana levado à rua por quem continua a dar-lhe vida. Folclore, cantares ao desafio, bandas filarmónicas, gigantones, cabeçudos e o som de mais de duas centenas de tocadores de bombos atravessam os dias da Romaria.
A festa termina a 23 de agosto com a Procissão Solene e, à meia-noite, a Serenata sobre o rio Lima, num cenário natural entre o rio, o mar e a montanha, que faz deste espetáculo um dos momentos mais singulares da Romaria. Entre a fé, a devoção, a festa e a tradição, a Romaria d’Agonia continua a ser, acima de tudo, uma festa feita pelas pessoas. Uma romaria que sabe receber e que continua a unir gerações em torno de um património vivo.
A devoção a Nossa Senhora d’Agonia remonta ao século XVIII e o dia da Senhora continua a ser assinalado a 20 de agosto.
Ao longo de mais de dois séculos, à matriz religiosa foram-se juntando manifestações populares, culturais e etnográficas que transformaram a Romaria numa das maiores expressões de fé e cultura popular de Portugal.