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Há 5 horas

Estudantes da UNIPVC desafiados a reinventar em barro a forma de servir a gastronomia do Alto Minho

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E se os pratos tradicionais do Alto Minho fossem servidos em peças de barro criadas especialmente para cada receita? É este o desafio lançado aos estudantes do curso de licenciatura em Design do Produto e de Gastronomia e Artes Culinárias da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), no âmbito do projeto “Da Boca ao Barro”, desenvolvido em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho). A iniciativa pretende valorizar o património cultural da região, cruzando a tradição gastronómica e a olaria com o design contemporâneo, através da criação de peças de louça de autor que aliem criatividade, identidade regional e funcionalidade.

A proposta parte de uma ideia simples: olhar para a gastronomia tradicional não apenas através das receitas, mas também dos objetos utilizados para as apresentar e servir. O desafio colocado aos estudantes é conceber peças de barro que estabeleçam uma relação com os pratos a que se destinam, reinterpretando a louça tradicional através de novas formas e soluções de design.

O projeto integra uma iniciativa mais abrangente da CIM Alto Minho dedicada à valorização do património cultural da região, que contempla, entre outras dimensões, a arquitetura e a habitação tradicional. É neste contexto que surge a atenção dada à cozinha, aos seus utensílios e aos objetos que fazem parte da cultura material do território.

A colaboração com a UNIPVC permite aproximar duas áreas de formação que se encontram à mesa: o design, responsável pela conceção das peças, e a gastronomia, que contribui com o conhecimento das receitas, das suas características e das exigências associadas à apresentação dos alimentos, mas também o turismo.

Das receitas tradicionais à criação de novas peças de barro

O desafio foi agora apresentado aos estudantes do 3.º ano do curso de licenciatura em Design do Produto, que se organizaram em grupos para estudar diferentes referências gastronómicas dos dez municípios do Alto Minho e desenvolver propostas de louça adaptadas aos pratos selecionados.

O ponto de partida é um conjunto de receitas emblemáticas dos dez municípios do Alto Minho, selecionadas com a colaboração do professor Carlos Fernandes, tendo também como referência, e não só, a obra A Boa Mesa do Alto Minho, de Francisco Sampaio. Entre as propostas apresentadas aos estudantes encontram-se o Arroz de Sarrabulho à Moda da Clara Penha, de Ponte de Lima, o Cabrito Assado à Serra Amarela, de Ponte da Barca, o Cordeiro à Moda de Monção, a Torta de Viana, as Trutas do Rio Coura, de Paredes de Coura, os Borrachinhos de Valença, o Caldo de farinha, de Arcos de Valdevez, as Roscas de Lanhelas, de Caminha, o Bucho Doce, de Melgaço, ou os Biscoitos de Milho, de Vila Nova de Cerveira. A partir da receita e do município escolhidos, cada grupo é desafiado a desenvolver uma peça ou linha de louça em barro que estabeleça uma ligação entre a gastronomia, a identidade cultural do território e o design contemporâneo.

A partir desta investigação, os estudantes são convidados a explorar de que forma o barro, material associado à tradição artesanal, pode ganhar novas expressões através do design contemporâneo. Mais do que criar objetos esteticamente apelativos, pretende-se desenvolver peças que respondam às características dos alimentos e à sua utilização à mesa.

A originalidade das propostas será, por isso, acompanhada de preocupações com a funcionalidade e a viabilidade de produção. O projeto prevê o desenvolvimento e a seleção de propostas com potencial para dar origem a protótipos, tendo em conta a qualidade das soluções apresentadas e a possibilidade de concretização das peças.

Design e gastronomia encontram-se à mesa

A iniciativa promove também uma experiência de trabalho interdisciplinar entre estudantes e docentes de diferentes áreas da UNIPVC.

A articulação com o curso de licenciatura em Gastronomia e Artes Culinárias já começou, com a participação de estudantes do 2.º ano numa sessão de apresentação e discussão do desafio. O encontro permitiu dar a conhecer o trabalho em desenvolvimento e recolher contributos da área da gastronomia, fundamentais para assegurar que as propostas de design respondem às particularidades dos pratos que irão servir.

Na sessão estiveram presentes Ermanno Aparo, docente ligado às duas áreas de formação, Graciela Macedo, docente da Licenciatura em Gastronomia e Artes Culinárias, e Alexandra Correia, coordenadora do Mestrado em Turismo e Inovação.

Para Ermanno Aparo, docente da UNIPVC envolvido no desenvolvimento do projeto, o desafio lançado pela CIM Alto Minho demonstra o potencial da colaboração entre diferentes áreas de formação e da ligação da academia ao território. “Este projeto mostra como o design e a gastronomia podem trabalhar em conjunto, cruzando conhecimentos e perspetivas para responder a um desafio concreto. Os estudantes têm a oportunidade de aplicar aquilo que aprendem a uma proposta que parte do território e da sua identidade cultural, mas que exige também criatividade, investigação e capacidade de encontrar soluções funcionais. É precisamente esta versatilidade e interdisciplinaridade que procuramos estimular na UNIPVC, através de projetos que aproximam os nossos cursos e reforçam a articulação com entidades externas, como a CIM Alto Minho, em diferentes áreas de intervenção”.

 colaboração entre as três áreas – Design, Gastronomia e Turismo – deverá aprofundar-se no segundo semestre, permitindo cruzar os conhecimentos de design com a experiência gastronómica e reforçar a ligação entre a investigação das receitas, a criação dos objetos e a sua utilização.

Valorizar a identidade regional através da inovação

Com o projeto “Da Boca ao Barro”, a CIM Alto Minho e a UNIPVC procuram explorar novas formas de valorização do património cultural, partindo de elementos que fazem parte da identidade e da memória coletiva da região.

Ao desafiar os estudantes a reinterpretar objetos associados à gastronomia tradicional, a iniciativa coloca o conhecimento académico e a criatividade ao serviço de um território, demonstrando como o design pode contribuir para estabelecer novas relações entre património, cultura e inovação.

O trabalho encontra-se numa fase inicial de desenvolvimento, com os estudantes a investigar as receitas selecionadas e a preparar as primeiras propostas de peças de barro, num processo que continuará a envolver as duas licenciaturas ao longo do ano letivo.

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