A utilização crescente da inteligência artificial está a transformar as práticas de ensino e aprendizagem, a investigação e a forma como o conhecimento é produzido e avaliado. Perante estas mudanças, as instituições de ensino superior enfrentam o desafio de integrar novas ferramentas tecnológicas sem perder de vista princípios como a transparência, a responsabilidade e o pensamento crítico.
Foi neste contexto que decorreu, no final da semana passada, a conferência internacional “Appropriate Guardrails for AGI: The Crucial Role of Universities”, que assinalou o lançamento oficial da DEFIA Portugal Network. A UNIPVC esteve representada pela pró-reitora para os Sistemas de Informação, Sara Paiva, num encontro que reuniu representantes de universidades, organizações internacionais, entidades públicas e empresas para debater o papel do ensino superior no desenvolvimento e na governação da inteligência artificial.
A nova rede, coordenada pela Universidade de Coimbra, pretende envolver as instituições participantes na definição de princípios e na construção de respostas conjuntas aos desafios da transformação digital, passando da reflexão à ação através de iniciativas colaborativas.
Guias e referencial de IA já disponíveis na UNIPVC
A integração nesta rede acontece numa altura em que a UNIPVC já disponibiliza à comunidade académica vários instrumentos destinados a orientar a utilização da inteligência artificial generativa.
Entre os documentos publicados, e disponíveis no portal da instituição, encontram-se os “Guias de utilização de IA generativa para docentes e estudantes”, o “Referencial de Inteligência Artificial na UNIPVC” e a “Declaração de uso da IA”, com versões destinadas a docentes, estudantes e a quem frequenta cursos de mestrado e doutoramento.
Este trabalho ganha particular relevância perante os resultados de um diagnóstico nacional divulgado em abril deste ano pelo Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES). Segundo o relatório, apenas 14,7% das 68 instituições de ensino superior inquiridas tinham políticas de inteligência artificial já em prática, enquanto 42,6% estavam ainda a desenvolver essas orientações e outras 42,6% não dispunham de enquadramento formal.
Num contexto em que a utilização destas tecnologias avança mais rapidamente do que a definição de políticas institucionais, os instrumentos disponibilizados pela UNIPVC procuram apoiar docentes e estudantes na sua utilização. Constituem também uma base para a partilha de experiências e boas práticas com outras instituições de ensino superior, um dos objetivos da DEFIA Portugal Network.
Da reflexão à construção de respostas conjuntas
A rede portuguesa pretende promover a criação de grupos de trabalho temáticos, nos quais as instituições poderão colaborar no desenvolvimento de recomendações, recursos e orientações para a comunidade académica.
Entre as áreas de intervenção estão o reforço da literacia em inteligência artificial, a inovação pedagógica, a utilização ética das tecnologias digitais e a articulação entre transformação digital e sustentabilidade.
urante o lançamento oficial foi também apresentado o Portuguese National Statement, uma declaração conjunta desenvolvida com contributos das instituições de ensino superior participantes. O documento estabelece um compromisso coletivo com o desenvolvimento e a utilização responsáveis da inteligência artificial e das tecnologias digitais, tendo como referências a dignidade humana, os valores democráticos, a sustentabilidade e o bem comum.
A iniciativa pretende, assim, criar condições para que o conhecimento e a experiência das instituições portuguesas contribuam para a definição de boas práticas e para o debate sobre o futuro da inteligência artificial na educação.
Uma aliança internacional dedicada à educação digital
A DEFIA foi fundada pela Global Enabling Sustainability Initiative (GeSI), pela Universidade de Coimbra e pela Huanghe Science and Technology University, da China. A aliança reúne universidades e parceiros de mais de 18 países, promovendo a cooperação entre o ensino superior, organizações internacionais, entidades públicas e setor empresarial.
A sua missão ultrapassa a inteligência artificial, abrangendo também áreas como a inclusão digital, a aprendizagem ao longo da vida, a cidadania digital, as tecnologias emergentes e a educação para o desenvolvimento sustentável.