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UNIPVC investe mais de 52 milhões em 111 projetos e reforça ligação às empresas

Rádio Geice

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A Universidade Politécnica de Viana do Castelo tem 111 projetos nacionais e internacionais em execução, associados a um investimento superior a 52 milhões de euros, e prepara uma nova etapa de desenvolvimento científico e tecnológico. A construção de três Centros de Tecnologia e Inovação no Alto Minho, num investimento conjunto de mais de 13,5 milhões de euros, os primeiros doutoramentos próprios e o reforço da investigação aplicada estão entre as prioridades apresentadas esta segunda-feira, na abertura da primeira Semana da Investigação, Inovação e Transferência de Tecnologia da UNIPVC.

A sessão “UNIPVC: Onde estamos e para onde vamos”, realizada no edifício dos Serviços Centrais, reuniu o Reitor, Carlos Rodrigues, o Pró-Reitor para as áreas da Investigação, Desenvolvimento, Inovação e Tecnologia, Luís Paulo Rodrigues, e responsáveis das Escolas e das Unidades de Investigação. A apresentação permitiu fazer o balanço da evolução científica da instituição e identificar os desafios que se colocam à Universidade nos próximos anos.

Um desses desafios resulta da própria transformação institucional. Para Carlos Rodrigues, a passagem de Instituto Politécnico a Universidade Politécnica, concretizada em agosto, representa o reconhecimento de um percurso desenvolvido ao longo de vários anos e assume importância estratégica para a afirmação da instituição.

“A passagem a Universidade Politécnica não é uma mera alteração de designação. É o reconhecimento de um percurso que fizemos ao longo de vários anos, sustentado na qualificação dos nossos docentes, no crescimento da investigação e na qualidade da formação. Esta mudança reforça a valorização dos diplomas dos nossos estudantes, permite-nos afirmar com maior clareza a nossa identidade no contexto internacional e cria condições para aumentar o impacto da Universidade na região”, afirmou o Reitor.

Carlos Rodrigues destacou ainda o trabalho dos docentes e investigadores, considerando que os resultados alcançados refletem um investimento continuado na qualificação e no desenvolvimento da atividade científica.

UNIPVC publicou 561 artigos científicos em 2025

Em 2025, os investigadores da UNIPVC publicaram 561 artigos científicos, dos quais 197 em revistas dos quartis Q1 e Q2, posicionadas entre as mais bem classificadas nas respetivas áreas científicas. Em termos absolutos, a instituição foi a segunda universidade politécnica portuguesa com maior produção científica nesse ano.

A Universidade integra também o World University Rankings da Times Higher Education, encontrando-se entre as duas mil melhores instituições de ensino superior do mundo e ocupando, em Portugal, a primeira posição entre as universidades politécnicas.

O reconhecimento internacional da investigação desenvolvida na UNIPVC reflete-se também na presença de três dos seus investigadores entre os 2% de cientistas mais citados do mundo: Sérgio Lopes, docente, investigador e diretor-geral do CiTiN – Centro de Tecnologia e Inovação Industrial, Gaspar Rego e Leonel Nunes. A distinção evidencia a projeção internacional do trabalho científico desenvolvido por investigadores ligados à Universidade.

Luís Paulo Rodrigues destacou que o crescimento da produção científica resulta de uma estratégia desenvolvida ao longo dos últimos anos, que procurou aumentar a qualidade e o impacto da investigação. O Pró-Reitor atribuiu particular importância ao trabalho dos investigadores e à consolidação das estruturas científicas da instituição.

Atualmente, a UNIPVC conta com 10 unidades de investigação, cinco das quais classificadas com Muito Bom pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Nestas unidades estão integrados 135 investigadores com vínculo à Universidade. Para apoiar o seu funcionamento entre 2025 e 2029, a FCT atribuiu um financiamento de 1.745.253 euros.

A UNIPVC pretende aumentar, no próximo ciclo de avaliação, para oito o número de unidades classificadas com Muito Bom ou Excelente. Esta é uma meta particularmente relevante para a expansão da oferta de formação avançada, uma vez que a avaliação das unidades de investigação constitui um dos fatores fundamentais para a acreditação de doutoramentos próprios.

A instituição pretende igualmente aumentar para 150 o número de investigadores integrados nas suas unidades até ao final de 2027, o equivalente a cerca de 75% dos docentes a tempo integral.

Da produção científica ao desenvolvimento de novas tecnologias

A transferência de conhecimento constitui uma das áreas em que a UNIPVC pretende concentrar esforços, procurando que os resultados da investigação possam dar origem a soluções com aplicação prática.

O portefólio da Universidade integra atualmente 31 tecnologias em diferentes fases de desenvolvimento e valorização. “Uma das nossas primeiras prioridades foi aumentar o impacto da investigação e os resultados mostram o caminho que percorremos. Mas queremos ir mais longe. O desafio agora é transformar uma parte crescente desse conhecimento em tecnologias e soluções que possam ser utilizadas pelas empresas. Temos 31 tecnologias em diferentes fases de desenvolvimento e queremos criar condições para que avancem, sejam testadas e possam chegar ao tecido produtivo”, explicou Luís Paulo Rodrigues.

Esta orientação ganha particular importância num território em que predominam pequenas e médias empresas, nem sempre com recursos próprios para desenvolver atividades de investigação e inovação. A criação de estruturas capazes de identificar necessidades, testar soluções e apoiar o desenvolvimento tecnológico procura responder a essa realidade.

Três Centros de Tecnologia e Inovação representam investimento superior a 13,5 milhões de euros

A UNIPVC esteve entre os principais promotores da criação de três Centros de Tecnologia e Inovação no Alto Minho: o CITIN, em Arcos de Valdevez, o SUSTEMARE, em Viana do Castelo, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG-UNIPVC), e o 3AR, em Ponte de Lima, na Escola Superior Agrária (ESA-UNIPVC).

As três estruturas reúnem 63 entidades associadas, quase metade das quais empresas, e têm financiamento aprovado para a construção das respetivas infraestruturas tecnológicas, num investimento conjunto de 13.522.252 euros.

“Precisávamos de criar estruturas que fizessem a ligação entre o conhecimento desenvolvido na Universidade e as necessidades concretas das empresas. Foi esse o caminho que seguimos com os três Centros de Tecnologia e Inovação. Não foi um processo simples. Exigiu vários anos de trabalho e o envolvimento de autarquias, empresas e instituições científicas. Agora, com o financiamento das infraestruturas aprovado, temos condições para dar um novo passo. E os principais beneficiários deste investimento serão as empresas e, através delas, a região”, salientou Carlos Rodrigues.

As novas infraestruturas deverão reforçar a capacidade tecnológica do Alto Minho em três áreas distintas: indústria, energias e tecnologias oceânicas e agroalimentar.

CiTiN: oito laboratórios e uma fábrica de aprendizagem para a indústria

Criado em 2021, o CiTiN – Centro de Tecnologia e Inovação Industrial prepara a construção de instalações próprias em Arcos de Valdevez, num investimento de cerca de 4,1 milhões de euros, cofinanciado pelo programa Norte 2030.

A nova infraestrutura, designada CNIAM/CiTiN – Centro para a Nova Indústria do Alto Minho, terá mais de 3.200 metros quadrados de área de construção e contará com oito laboratórios, quatro dedicados à Manufatura Avançada e quatro à Transição Digital.

Estão ainda previstas uma Academia CiTiN, orientada para a formação técnica especializada, e uma Learning Factory, destinada ao desenvolvimento e teste de soluções em condições próximas do ambiente industrial. O centro pretende apoiar as empresas na modernização dos processos produtivos, na adoção de novas tecnologias e no desenvolvimento de produtos com maior valor acrescentado.

O projeto conta com o Município de Arcos de Valdevez como copromotor e com a UNIPVC como parceiro estratégico.

SUSTEMARE: cinco laboratórios e uma nave industrial para tecnologias oceânicas

Em Viana do Castelo, o SUSTEMARE – Centro de Tecnologia e Inovação em Energias e Tecnologias Oceânicas está orientado para a investigação aplicada e o apoio às empresas da economia do mar, particularmente nas áreas das energias renováveis offshore, materiais, monitorização, manutenção e inspeção de infraestruturas marítimas.

As futuras instalações, previstas para a zona da Praia Norte, junto à Escola Superior de Tecnologia e Gestão, terão cinco laboratórios especializados e uma nave industrial destinada à montagem, teste e demonstração de componentes e protótipos de maior escala.

O centro já desenvolve atividade, com serviços contratados nas áreas da manutenção preditiva e do teste de soluções para estruturas metálicas, mesmo antes da construção do edifício.

Com financiamento aprovado pelo Norte 2030, está previsto o lançamento do concurso da empreitada ainda em outubro ou novembro de 2026. A conclusão da obra é apontada para o final de 2027 e a plena atividade nas novas instalações para 2028, dependendo dos procedimentos de contratação e construção.

3AR: cerca de 4,5 milhões de euros para inovação no agroalimentar

Em Ponte de Lima, o 3AR – Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia do Agroalimentar prepara a construção da sua infraestrutura no campus da Escola Superior Agrária da UNIPVC, num investimento de cerca de 4,5 milhões de euros, com financiamento de 65% através do Norte 2030.

O centro terá três áreas de intervenção: Alimentação e Gastronomia, Recursos Endógenos e Território e Sustentabilidade. Estão previstos laboratórios dedicados à inovação alimentar, análise sensorial, microbiologia, genética e tecnologias ambientais, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de novos produtos e processos, valorizar os recursos da região e aproximar a investigação das empresas e produtores.

A empreitada deverá ser lançada ainda em 2026, estando prevista a conclusão do edifício num prazo de dois anos. O trabalho com os parceiros empresariais, contudo, avançará em paralelo com a construção, permitindo identificar necessidades e oportunidades de inovação.

A infraestrutura estará também articulada com o polo de Melgaço, particularmente nas áreas da vinha e do vinho, com destaque para a casta Alvarinho.

Mais de 52 milhões de euros de investimento associado a 111 projetos

Dos 111 projetos atualmente em execução na UNIPVC, 77 são nacionais e 34 internacionais, correspondendo a um investimento global associado de 52.293.798 euros.

No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a Universidade participou em 42 projetos aprovados, com financiamento associado de 25.686.418 euros. Já através do programa Norte 2030 foram aprovados, até à data, 19 projetos, representando um investimento de 11.740.285 euros.

Nos últimos cinco anos, as receitas obtidas pela instituição através de projetos cofinanciados ascenderam a 46.181.409 euros.

Uma parte destes projetos tem permitido desenvolver novas ofertas de formação, particularmente dirigidas a públicos adultos. A UNIPVC disponibilizou 78 programas formativos financiados pelo PRR, entre ações de curta duração, pós-graduações e mestrados, que permitiram formar 1.954 pessoas.

A aposta no ensino digital e a distância tem igualmente permitido chegar a novos públicos. Um dos exemplos é o curso online aberto “Tudo sobre diabetes”, disponibilizado na plataforma NAU, que registou 6.349 participantes.

Primeiros doutoramentos próprios receberam 96 candidaturas para 35 vagas

A aprovação dos primeiros doutoramentos próprios constitui outro marco na evolução da UNIPVC e abre novas possibilidades de formação avançada e investigação científica.

Os programas de Doutoramento em Design para a Inovação Regional, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, e de Doutoramento em Ciências do Desporto, da Escola Superior de Desporto e Lazer, receberam, em conjunto, 96 candidaturas para 35 vagas.

“Queremos que os nossos doutoramentos sejam desenvolvidos, preferencialmente, em ambientes não académicos, mantendo naturalmente toda a exigência científica que lhes está associada. O que procuramos é que os problemas colocados à investigação possam nascer também das necessidades das empresas e da sociedade. Dessa forma, a formação doutoral contribuirá não apenas para aumentar a nossa produção científica, mas também para encontrar respostas a desafios concretos”, afirmou Luís Paulo Rodrigues.

A UNIPVC tem como objetivo alcançar quatro doutoramentos aprovados até ao final de 2026, estando a trabalhar também em propostas nas áreas da Enfermagem e da Educação.

SUNRISE: nove universidades europeias e três mestrados conjuntos em desenvolvimento

A internacionalização é outra das áreas em que a UNIPVC pretende reforçar a sua intervenção, nomeadamente através da participação na SUNRISE, uma aliança universitária europeia que integra desde 2024.

A iniciativa reúne nove instituições de ensino superior de oito países, desenvolvendo atividade em quatro áreas: ensino, investigação, inovação e serviço à sociedade.

Atualmente, 38 elementos da UNIPVC estão envolvidos nas atividades da aliança, que conta também com cerca de 60 parcerias estratégicas com empresas e organizações da sociedade.

Entre os projetos em desenvolvimento encontram-se três mestrados conjuntos, nas áreas da Inteligência Artificial e Bioinformática, Ciências da Computação e Gestão Global e Sustentabilidade.

Carlos Rodrigues destacou que a participação na SUNRISE permite criar novas oportunidades de mobilidade para estudantes e docentes, reforçar a cooperação científica e facilitar o acesso a competências e redes internacionais que poderão beneficiar a Universidade, as empresas e a região.

Reforçar a investigação, captar financiamento europeu e criar emprego qualificado

Entre os objetivos definidos para os próximos anos está o reforço da participação no programa Horizonte Europa, com a apresentação de pelo menos 14 candidaturas entre 2026 e 2027.

Os três Centros de Tecnologia e Inovação têm também como perspetiva a criação de cerca de 110 postos de trabalho até 2032, associados ao desenvolvimento das suas atividades científicas e tecnológicas.

Luís Paulo Rodrigues salientou que o sucesso destas estruturas dependerá não apenas das instalações e dos equipamentos, mas sobretudo da capacidade de constituir equipas especializadas, dedicadas ao desenvolvimento tecnológico e ao trabalho direto com as empresas.

Cinco dias para aproximar a investigação das empresas e do território

A primeira Semana da Investigação, Inovação e Transferência de Tecnologia decorre de 12 a 16 de outubro, envolvendo as Escolas e Unidades de Investigação da UNIPVC, empresas, municípios, centros tecnológicos, investigadores e estudantes.

A programação inclui workshops, conferências, Tech Talks, Think Tanks, visitas a laboratórios, uma mostra científica e momentos de contacto entre investigadores e representantes do tecido empresarial.

Entre as iniciativas previstas estão um workshop dedicado à propriedade industrial, em colaboração com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, debates sobre segurança marítima, economia azul e energias oceânicas, e um encontro sobre inovação na indústria agroalimentar, que permitirá também dar a conhecer o 3AR.

Os estudantes serão desafiados a desenvolver uma solução digital relacionada com o território de Viana do Castelo, num Hackathon tecnológico organizado com a UNTILE e a Unidade de Investigação ADiT-Lab. A ligação entre academia e empresas estará igualmente em discussão, num encontro dedicado à redução da distância entre o conhecimento científico e a sua aplicação no contexto empresarial.

A Semana encerra a 16 de outubro com uma reflexão sobre o impacto dos projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência na UNIPVC. Durante os cinco dias estará ainda patente uma mostra dedicada ao ecossistema de investigação e inovação da Universidade.

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