Não é apenas uma festa; é um estado de espírito. Para os vianenses, o mês de julho marca o início de uma ansiedade doce. Faltam 30 dias para que as ruas se encham de “mordomas”, para que o som dos bombos ecoe pelas esquinas e para que o sal ganhe formas artísticas no chão da Ribeira. A Romaria de Nossa Senhora da Agonia está à porta e o programa de 2026 promete honrar as raízes que, há mais de dois séculos, definem esta região.
A Mordomia: O “Ouro de Viana” sai à rua
Um dos momentos mais aguardados e fotografados do mundo é o Desfile da Mordomia. Centenas de mulheres vianenses, trajadas com o rigor dos seus antepassados, percorrem as ruas da cidade exibindo orgulhosamente os seus “peitos” repletos de peças de ouro de filigrana. É a maior montra de joalharia tradicional ao ar livre do mundo e o símbolo máximo da chieira (orgulho) da mulher de Viana.
Fé e Mar: A Devoção dos pescadores
A origem da romaria remonta ao século XVIII, quando os homens do mar invocavam a proteção de Nossa Senhora da Agonia para enfrentar as tempestades. Esse fervor religioso mantém-se intacto. O ponto alto da devoção ocorre com a Procissão ao Mar, onde a imagem da Santa é levada aos barcos de pesca, acompanhada por centenas de embarcações engalanadas, num momento de profunda emoção e silêncio, interrompido apenas pelas sirenes dos barcos.

A Noite dos Tapetes: Arte que nasce no chão
Na véspera do dia da Santa (20 de agosto), a zona da Ribeira não dorme. É a Noite dos Tapetes de Sal. Numa demonstração de fé e trabalho comunitário, os moradores das ruas históricas passam a noite a desenhar motivos geométricos e marítimos utilizando toneladas de sal colorido. Ao amanhecer, a cidade acorda transformada num jardim de sal, pronto para a passagem da procissão.
O cortejo histórico e a alegria dos gigantones
Para quem procura animação, o Cortejo Histórico-Etnográfico é o momento chave. Carros alegóricos, grupos de folclore e centenas de figurantes retratam os usos e costumes das freguesias do concelho. À frente, os icónicos Gigantones e Cabeçudos garantem a diversão, dançando ao som dos grupos de bombos que fazem vibrar o peito de quem assiste.

“Voltamos a ser quem somos”
A frase da organização resume o sentimento coletivo: a Romaria é o momento do reencontro. Os emigrantes regressam, as famílias juntam-se e a tradição passa de avós para netos. Em agosto, Viana não é apenas uma cidade; é o coração pulsante de uma nação que se orgulha do seu passado.
Marque na agenda:
-
O quê: Romaria de Nossa Senhora d’Agonia 2026.
-
Onde: Viana do Castelo.
-
Destaques: Desfile da Mordomia, Cortejo Histórico, Tapetes de Sal, Procissão ao Mar e a emblemática Serenata (fogo de artifício sobre o rio Lima).
A partir de agora, cada dia que passa é um passo mais próximo do momento em que Viana volta a ser, plenamente, Romaria d’Agonia.