Num final de tarde marcado por uma atmosfera de celebração e profunda reverência pelas raízes culturais do Alto Minho, a histórica Praça da República, em Viana do Castelo, foi o palco escolhido para a grande revelação da mais recente aposta da LetsHome. Na passada sexta-feira, 17 de julho de 2026, pelas 17h00, a insígnia minhota apresentou ao público a sua nova coleção, sugestivamente batizada de “O Coração é a Alma da Romaria”.
Este lançamento não é apenas a apresentação de uma linha de produtos para o lar; é um manifesto de amor à capital do folclore português. A coleção consagra a fusão harmoniosa de três artes distintas – a fotografia de Vítor Roriz, a pintura e ilustração de Ana Rego, e o design têxtil de Ana Gomes – sob a alçada visionária de Eduardo Carvalho, o grande impulsionador da Vianatece e da marca comercial LetsHome. O resultado é uma ode têxtil que transporta a emoção, o requinte da filigrana, a delicadeza da cerâmica tradicional e o palpitar da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia diretamente para o conforto e a intimidade das casas em todo o mundo.
O mote “Do tear para o lar” ganha, neste verão de 2026, um significado ainda mais profundo. Numa época em que a padronização global ameaça as identidades locais, a LetsHome, através da sua coleção, rema contra a maré, provando que é possível criar artigos de decoração de interiores, de cama e de mesa que sejam simultaneamente contemporâneos, esteticamente irrepreensíveis e carregados de herança antropológica.
Mergulhamos nos bastidores desta criação, escutamos as vozes de quem sonhou e materializou cada fio destas peças e compreendemos como Viana do Castelo continua a seduzir mercados tão longínquos como o Japão ou a Austrália, tudo a partir do fio condutor do seu maior símbolo: o Coração de Viana.

Não foi por acaso que a apresentação oficial ocorreu na emblemática Praça da República. Rodeada por edifícios seculares, com o Chafariz renascentista e os Antigos Paços do Concelho como testemunhas, a praça é o epicentro da vida vianense e o coração pulsante da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia. Foi neste cenário, banhado pela luz dourada das 17h00, que a LetsHome desvendou o seu segredo mais bem guardado dos últimos meses.
O convite para o evento, espelhado numa belíssima ilustração em tons de azul profundo que remete tanto para os azulejos portugueses como para as tintas da cerâmica de Viana, deixava já antever a magnitude da proposta: “O Coração é a Alma da Romaria”.
O Coração de Viana, originalmente cunhado em ouro através da arte da filigrana, é um símbolo cujo significado transcende a ourivesaria. Nascido no final do século XVIII por devoção ao Sagrado Coração de Jesus, o seu desenho peculiar – coroado por labaredas de amor divinal – foi progressivamente adotado pelas mulheres minhotas. Hoje, é a joia magna dos exuberantes trajes à vianense, desfilados com orgulho indescritível durante os dias da Romaria d’Agonia.
Ao adotar este ícone como a pedra basilar da nova coleção, a LetsHome não está apenas a usar uma imagem bonita. Está a manusear a “alma” de um povo. Como veremos pelas declarações dos autores da obra, o grande desafio não foi simplesmente “copiar” o coração para o tecido, mas sim reinventá-lo, subtrair-lhe o peso visual do ouro e convertê-lo em algo leve, etéreo e acolhedor, apropriado para repousar numa cama ou adornar uma mesa de jantar.
A génese de um projeto colaborativo
A criação de “O Coração é a Alma da Romaria” é, na sua essência, um exercício de sinergia artística a várias mãos. Eduardo Carvalho, representante e mente estratégica da LetsHome e da Vianatece, foi o arquiteto do conceito.
Mas para dar vida a este nome forte, foi necessária uma verdadeira curadoria de talentos, uma responsabilidade que recaiu sobre o experiente fotógrafo Vítor Roriz. Foi Vítor quem serviu de ponte, selecionando as imagens puras da romaria, e convidando a pintora Ana Rego para reinterpretar essas memórias através do pincel. O passo final, e talvez o mais exigente do ponto de vista técnico e comercial, esteve nas mãos da designer Ana Gomes, que traduziu a arte plástica e fotográfica numa padronagem têxtil replicável, comercialmente viável e visualmente deslumbrante.
Este método de trabalho em cadeia valoriza o processo criativo, retirando a criação do isolamento do ateliê e colocando-a num ecossistema colaborativo onde cada artista adiciona uma camada de complexidade e beleza.
Ana Rego: A pintura, a filigrana e a cerâmica vianense
Ana Rego, conceituada pintora e ilustradora, já colabora com a marca há dois anos. A sua abordagem a este desafio reflete uma maturidade artística e uma compreensão profunda da tradição que lhe foi entregue nas mãos.
No início da sua intervenção durante o evento, Ana Rego explicou como encarou a temática:
“O tema era o Coração de Viana, na filigrana… Parecia ser um tema muito forte este ano e uma aposta da LetsHome.”
A artista confessou que o desafio não se limitou a transpor o desenho de uma joia em filigrana para a tela. Um coração em filigrana, na sua forma isolada, poderia tornar-se visualmente pesado ou restritivo. Por isso, Ana Rego recorreu a outra grande paixão patrimonial da região: A cerâmica tradicional de Viana do Castelo.
“Peguei no coração, tipo joia, de filigrana, e depois, para não ser só o coração, fui buscar o tema da pintura na cerâmica de Viana… aqueles rabiós, aquelas cornucópias e tudo mais, e fiz ali uma mistura para tornar mais leve um bocadinho e não ser só o tema do coração.”
A louça de Viana, cujos primórdios remontam à Fábrica de Darque no século XVIII, é conhecida precisamente por esses motivos vegetalistas, os arabescos azuis (os “rabiós” e as cornucópias), que dançam sobre o esmalte branco. Ao cruzar a gramática visual da filigrana com as ramificações fluídas e delicadas da faiança tradicional, Ana Rego conseguiu desconstruir a rigidez do metal, conferindo-lhe uma fluidez orgânica. Esta simbiose gerou uma ilustração única, que se expande e respira, ideal para ser aplicada em superfícies têxteis.
Quando questionada sobre o que sente ao ver a sua “arte pura” transposta para objetos de uso quotidiano, como roupa de cama ou de mesa – artigos que exigem uma adaptação a formatos muito específicos -, a pintora não escondeu o entusiasmo:
“Tenho sempre de pensar que vai ser usado para roupa de cama e para a mesa. […] Todos os anos fico muito satisfeita com o que a LetsHome apresenta. Passar a arte para algo que nem se está à espera, acho que é além de ficar muito bonito, é desafiante, sim.”
Esta passagem da tela para o “útil”, do quadro na parede para a toalha onde a família se reúne, é o pináculo do design utilitário. A arte de Ana Rego deixa de ser apenas contemplativa para passar a ser vivenciada, tocada e sentida na pele de quem dorme sob os lençóis da nova coleção.
Ana Gomes: O desafio do design têxtil e a concretização “do tear para o lar”
Se Ana Rego forneceu a alma ilustrada, coube a Ana Gomes, a designer residente e encarregue de materializar a coleção, a tarefa hercúlea de dar forma, escala e viabilidade comercial ao projeto. O design de estamparia e padronagem têxtil é uma ciência meticulosa. Requer a compreensão das fibras, do caimento do tecido, dos limites cromáticos e, sobretudo, do gosto do consumidor.
Ana Gomes explicou de forma clara a dinâmica do processo criativo:
“Todos os anos nós fazemos esta coleção da Romaria. O Vítor [Roriz] traz-me fotos tiradas por ele na altura da festa e, com a Ana Rego, eles os dois juntam-se e tentam pegar em elementos da nossa Romaria para ela desenhar, e depois esse material vem para mim.”
Este fluxo de trabalho demonstra um grande respeito pela realidade crua (a fotografia) que é depois liricamente reinterpretada (a ilustração), antes de ser sintetizada graficamente (o design). Para a coleção “O Coração é a Alma da Romaria”, Ana Gomes centrou-se rigorosamente neste símbolo:
“O que eu faço é, com o tema neste caso deste ano – o Coração de Viana -, tentei basear-me nesse tema para fazer as nossas coleções, desde pegar nas pinturas da Ana Rego como nas fotografias do Vítor Roriz.”
Para a designer, a exigência renova-se anualmente. Sendo Viana do Castelo detentora de um folclore inesgotável, a dificuldade reside na escolha:
“O desafio é sempre interessante todos os anos, o tema varia sempre muito, portanto uma pessoa consegue explorar muito a nossa Romaria e a nossa cultura e gosto bastante. Todos os anos fico muito entusiasmada por esta coleção.”
A culminação deste processo, que segundo Ana Gomes dura largos meses desde a conceptualização, desenrolou-se num misto de alívio e pura alegria. A recompensa máxima do designer têxtil não é apenas fechar o ficheiro digital, mas sim entrar na loja e ver os rolos de tecido transformados em artigos finais, perfeitamente dispostos nas prateleiras.
“É muito gratificante, estou há dois meses a fazer isto e, então, chegar ao ponto de ver a loja preenchida com as nossas coleções e com aquilo que eu consegui fazer, é sem dúvida uma alegria.”
A aceitação do público tem sido formidável. Ana Gomes refere que as pessoas valorizam e querem ter estes pedaços da cultura em suas casas, apontando ainda que o feedback dos clientes a tem impulsionado a inovar: “As pessoas adoram, querem comprar e querem ter nas suas casas… já sei que querem mais cores nas coleções, e então isso também me ajuda depois a completar ainda mais a coleção nos próximos dias e semanas.”
Vítor Roriz: A curadoria, a fotografia e a busca pelo conforto
Vítor Roriz é o homem do olhar apurado. Como fotógrafo e coordenador artístico deste lançamento, tem sobre os seus ombros a curadoria visual de todo o projeto. Numa era onde existem milhões de fotografias de Viana do Castelo e do seu emblemático Coração, como se encontra a imagem perfeita que não seja apenas mais uma, mas A imagem que fará a ponte para um produto têxtil?
Vítor descreve assim o ponto de partida do processo criativo, prestando tributo à visão do proprietário:
“Isto para começar mesmo é assim: isto é idealizado, o nome da coleção é idealizado pelo proprietário. O Eduardo Carvalho idealizou o nome, passa para mim, eu como curador de toda esta exposição, idealizo o que é que vou fotografar e como é que vou fotografar.”
O fotógrafo fez questão de sublinhar a intenção de criar uma rede cultural na cidade, convidando diferentes artistas a cada edição para que “possam pôr a nossa cultura da nossa cidade, e os nossos artistas, também a colaborar connosco”.
Sobre a temática de 2026, Vítor Roriz reforça a magnitude do símbolo escolhido:
“A intenção desta coleção, que é o ícone mais forte, que é o Coração de Viana, no fundo é a alma da Romaria… e é nisto que este ano estamos a apostar, é na tradição, na cultura e acima de tudo na junção entre uma coleção contemporânea, não tirando a cultura nem a tradição.”
No entanto, transpor a força visual de uma fotografia de Romaria para um objeto de “relaxamento” apresentou-se como a sua maior batalha artística:
“É sempre difícil, tudo o que parece fácil… fotografar um Coração de Viana, há milhares e milhares e milhares, para não dizer milhões de fotografias, e todos nós tiramos fotografias. A dificuldade aqui é conseguir imaginar ao fotografar, que vamos transpor isto para uma coleção… para a área têxtil.”
Vítor Roriz levanta aqui uma questão fundamental no design de interiores: o conforto visual e psicológico. Uma peça têxtil não é um quadro num museu; é uma extensão da intimidade do utilizador. Tem de ser envolvente, pacífica, agradável ao longo do tempo.
“É extremamente difícil estares numa mesa que é muito delicada, ao teres, numa mesa onde estás a comer, onde estás a repartir toda a emoção e toda a família, e ter coisas que te afetem visualmente… não é bom. Como numa cama, queres relax, queremos sentir-nos em conforto. E todo este conjunto e a forma como se fotografa, e transpor para aí é que está a dificuldade da imaginação antes de perceber até onde vai o produto que estamos a fotografar.”
Mas o resultado superou os constrangimentos. Com a satisfação estampada nas palavras, Roriz concluiu a sua declaração demonstrando a profunda felicidade e orgulho de “conseguir ser feliz e fazer aquilo que eu gosto”.
Eduardo Carvalho: A liderança e a visão “Made in Viana”
Nenhum destes processos ganharia vida sem o motor impulsionador da LetsHome e da Vianatece: Eduardo Carvalho. Como proprietário e responsável máximo, foi ele o visionário que batizou a coleção de “O Coração é a Alma da Romaria” e que compreendeu que a arte e a indústria, em Portugal, não têm de caminhar em vias separadas.
Eduardo Carvalho explica de forma singela, mas assertiva, a razão da escolha do nome e o objetivo de perpetuar o Coração de Viana na sua linha de produtos:
“A Romaria… este ano pusemos o nome da Romaria, ‘O Coração’, faz parte da Romaria e para mostrar também a quem nos visita que o Coração faz parte da cidade e também faz parte da Romaria de Viana.”
Ao escutar o empresário, percebe-se rapidamente que o seu foco está muito além da mera venda de tecidos. Há um desígnio cultural subjacente à marca. Ele constata com agrado o crescimento do interesse não só dos locais, mas dos turistas, e sente que a sua empresa cumpre o dever de divulgar a riqueza do Minho:
“Sinto que cada vez estamos a progredir, em termos de design, em termos de imagem, e cada vez temos mais clientes a procurar este tipo de produto, e é isso que nós procuramos, também mostrar um pouco da cidade de Viana, daquilo que cá se faz. E esta altura é a melhor altura porque temos mais gente e podemos divulgar de uma maneira diferente aquilo que fazemos e aquilo que em Viana se faz.”
A LetsHome não se limita ao mercado nacional. “O Coração é a Alma da Romaria” é, na verdade, um passaporte têxtil para o mundo. Eduardo Carvalho surpreende ao revelar as dimensões internacionais do projeto:
“Através de Viana até temos vários clientes estrangeiros, e depois estas coleções são apresentadas a clientes de toda a parte do mundo: Japão, Alemanha, França, Austrália… Para todos os países quase do mundo que nós vendemos. E sim, conseguimos colocar em vários países este produto, que é no fundo Viana… Temos clientes no Japão que apreciam muito estas coisas aqui de Viana.”
É notável imaginar um cidadão em Tóquio ou Sidney a desfrutar de uma refeição sobre um caminho de mesa adornado com “rabiós” e filigrana de Viana do Castelo. Para Eduardo Carvalho, esta aceitação além-fronteiras deve-se à força inata da cultura portuguesa e vianense, que mesmo descontextualizada geograficamente, “diz-lhes alguma coisa”.
Um dos pontos mais fortes desta entrevista a Eduardo Carvalho é o compromisso com a democratização da coleção. Ao contrário do que se poderia esperar de uma edição curada por fotógrafos, pintores e designers, a coleção “O Coração é a Alma da Romaria” não se destina apenas a elites.
“Temos peças para um segmento mais médio/alto, mas também temos peças acessíveis. Temos peças desde os 5 euros… que no fundo têm a imagem de Viana, e as pessoas podem, por exemplo, um pano de cozinha, que tem o preço de 5 euros e 40.”
A coleção é vasta e concebida para cobrir todas as necessidades do lar:
“Tudo isto obedece a uma linha. Fazemos… cada coleção tem o produto todo. Tem a toalha, tem o cesto do pão, tem o individual, tem o tapete, tem a passadeira de mesa.”
E o selo de autenticidade é inegociável: “É tudo feito em Viana do Castelo. É tudo produzido pela Vianatece para a LetsHome.
O contexto: A Romaria
Para compreender plenamente a grandiosidade deste lançamento “O Coração é a Alma da Romaria”, é imperativo recuar e mergulhar na história da festividade que lhe serve de berço. A Romaria de Nossa Senhora d’Agonia, que se celebra anualmente em agosto, é muito mais do que um festival religioso. É o clímax da identidade vianense, onde a fé das gentes do mar se cruza de forma indissociável com a ostentação terrena do ouro e das tradições.
A devoção à Senhora d’Agonia remonta a 1744, quando a imagem da padroeira, invocada pelos pescadores nas horas de maior tormenta no mar, foi ali colocada para devoção. Contudo, foi a partir do século XIX que a festa ganhou a roupagem opulenta pela qual é mundialmente reconhecida.
O Desfile da Mordomia, onde centenas de mulheres de várias idades percorrem as ruas de Viana engalanadas com os seus trajes garridos, ostentam orgulhosamente ao peito autênticos “escudos” de ouro maciço. Cordões, brincos de rainha, custódias e, inegavelmente reinando no centro da composição, o Coração de Viana. O coração em filigrana simboliza o fogo do amor (representado pelas chamas no topo do coração), mas, do ponto de vista sociológico, representava também o dote da mulher e a poupança das famílias agrícolas e piscatórias.
O que a LetsHome e a Vianatece concretizam em 2026, com o lançamento desta nova linha na Praça da República, é a translação desta riqueza para os doze meses do ano. A Romaria dura alguns dias em agosto, mas “O Coração é a Alma da Romaria”, nas palavras de Ana Gomes e Eduardo Carvalho, é desenhado para habitar as salas e quartos dos clientes de forma perene, resistindo à efemeridade do calendário festivo.
A indústria têxtil portuguesa: Resiliência e inovação
Não se pode falar deste evento sem destacar a importância vital que a indústria têxtil possui no norte de Portugal. A LetsHome, operando sob o vasto e poético lema “Do tear para o lar”, tem demonstrado ser uma guardiã das técnicas ancestrais da tecelagem portuguesa, ao mesmo tempo que injeta inovação no setor.
O conceito “do tear” remete-nos para uma época onde a confeção de um simples tapete ou lençol exigia um labor imenso e meticuloso. O cruzamento dos fios – a teia (fios longitudinais) e a trama (fios transversais) – era feito manualmente, num compasso ritmado que acompanhava a vida das populações. Embora a Vianatece possua tecnologia moderna que lhe permite a massificação para exportação (como referido para a Alemanha, França ou Austrália), a premissa conceptual do “tear” está omnipresente na textura orgânica, na qualidade dos fios de algodão, nas estamparias que imitam o trabalho manual e na resistência dos seus artigos.
Ao fabricar a 100% no concelho (“Tudo made in Viana”), a Vianatece de Eduardo Carvalho contraria a deslocalização asiática que tanto fustigou o setor têxtil nacional nas últimas décadas. Além de garantir postos de trabalho locais, garante um nível de exigência e controlo de qualidade (“segmento médio-alto”) apenas possível através da mestria lusa. O pano de cozinha de 5,40€, o tapete ou as colchas mais sofisticadas (como a Colcha Acolchoada Mia mencionada no catálogo da marca, no valor de 124,00€, todos refletem a durabilidade associada aos têxteis do Vale do Ave e do Cávado/Minho.
A arte de fundir “ilustração em aquarela/cerâmica” com “impressão em tecido” é um marco tecnológico notável. Antigamente, os padrões têxteis tinham limitações enormes de cores e gradientes. Hoje, o trabalho complexo que Ana Rego fez misturando os rabiós azuis da louça de Viana com as teias entrelaçadas do Coração de Viana é transportado quase com rigor fotográfico (graças também às matrizes de Vítor Roriz e ao design digital de Ana Gomes) para as toalhas, lençóis e individuais que foram apresentados nesta sexta-feira histórica.
A tarde de 17 de julho de 2026 ficará gravada na memória de quem passou pela Praça da República. O ambiente estava impregnado pela antecipação da grandiosa Romaria que se aproxima em agosto. O lançamento aberto ao público e aos convidados da marca funcionou não só como um evento comercial, mas como uma autêntica exposição de arte em espaço público.
O cenário urbano, em pleno coração histórico da cidade casou na perfeição com os produtos exibidos. As mesas postas pela equipa da LetsHome exibiam as passadeiras e os individuais, provando a teoria de Vítor Roriz: é possível incorporar uma iconografia pesada de tradição de uma forma que traz conforto e relax à hora da refeição. A paleta cromática adotada, fortemente influenciada pelo azul cobalto da cerâmica de Viana e pelo ouro pálido e texturizado das filigranas reinterpretadas, conferiu às peças um aspeto incrivelmente sereno e luxuoso, sem cair em folclorismos saturados.
O orgulho estava visível não só nos rostos de Vítor Roriz, Ana Rego e Ana Gomes — cujos depoimentos revelam um sentido de dever cumprido após meses de dedicação —, mas também no rosto do empresário Eduardo Carvalho. Sentir que as suas peças, nascidas de uma premissa tão local, estão hoje aptas a figurar em mostruários no Japão é o testemunho máximo da universalidade da arte genuína.
Para a cidade de Viana do Castelo, iniciativas como esta da LetsHome são de um valor incalculável. Elas funcionam como embaixadas móveis da cultura minhota. Quando um turista alemão, francês ou australiano adquire uma toalha “O Coração é a Alma da Romaria” e a estende na sua mesa a milhares de quilómetros de distância, está a convidar Viana do Castelo para jantar. A conversa que inevitavelmente surgirá em torno dos motivos estampados no tecido — “Que coração é este?”, “Que flores e arabescos azuis são estes?” — é o melhor marketing que uma região pode desejar.
O futuro da LetsHome e o legado da romaria
A coleção “O Coração é a Alma da Romaria” não é um fim em si mesmo. Como referiu a designer Ana Gomes, o feedback imediato do público já a impulsiona a considerar expansões: “Já sei que querem mais cores nas coleções”, afirmou, garantindo que o catálogo poderá ser ainda mais complementado nas próximas semanas e dias.
Este dinamismo e abertura à vontade do consumidor demonstram a flexibilidade de uma empresa enraizada mas, ao mesmo tempo, voltada para o futuro. O compromisso assumido por Vítor Roriz, de ano após ano convocar artistas da cidade para colaborarem, projeta a LetsHome como um verdadeiro mecenas moderno das artes plásticas e visuais vianenses, oferecendo aos criadores uma plataforma de visibilidade comercial e prática sem paralelo.
Na conclusão deste lançamento que parou o centro da “Princesa do Lima”, fica a certeza de que a cultura e a tradição não têm de estar encerradas em redomas de vidro nos museus ou confinadas aos três dias da Senhora d’Agonia.
Eduardo Carvalho e a sua equipa provaram que o Coração de Viana, de facto, pulsa mais forte quando está próximo de nós, no dia a dia, nos nossos lares, envolvendo-nos na hora de dormir ou enfeitando o nosso pão de cada dia. A LetsHome transformou a saudade, a devoção e a beleza intrínseca da filigrana e da cerâmica num abraço têxtil.
“Do tear para o lar”, a magia acontece. Em Viana do Castelo, este verão, a romaria começa mais cedo. Não ao som dos bombos, mas no silêncio suave e acolhedor de um tecido minuciosamente ilustrado e desenhado por quem ama profundamente a sua terra. E o mundo, desde o Japão à Austrália, está de olhos postos neste coração que não para de bater.





