“Vocês são os primeiros, ficarão na história desta casa.” Foi desta forma que o Reitor da Universidade Politécnica de Viana do Castelo, Carlos Rodrigues, se dirigiu aos estudantes que iniciam agora o curso de licenciatura em Fisioterapia, uma das novidades da oferta formativa da Escola Superior de Saúde no ano letivo 2026/2027.
Serem os primeiros traz também, sublinhou, uma responsabilidade acrescida. Carlos Rodrigues destacou o facto de a licenciatura ser ministrada em associação pelas Universidades Politécnicas de Viana do Castelo, Santarém e Viseu, considerando que o envolvimento das três instituições reforça a qualidade da formação que os estudantes vão receber e, no futuro, dos serviços que estarão preparados para prestar.
A chegada dos primeiros estudantes marcou a concretização de um projeto construído em conjunto pelas três instituições. A sessão decorreu esta manhã, em simultâneo em Viana do Castelo, Santarém e Viseu, num primeiro dia que materializou o próprio modelo de associação em que assenta a licenciatura.
“Apostamos em Fisioterapia e apostamos no futuro”
Para o diretor da Escola Superior de Saúde da UNIPVC, Luís Graça, a abertura da licenciatura representa uma aposta que ultrapassa a criação de uma nova formação. “Apostamos em Fisioterapia e apostamos no futuro”, afirmou, relacionando a necessidade destes profissionais com o aumento da esperança média de vida e com a importância de garantir que uma vida mais longa seja também vivida com qualidade.
Luís Graça lembrou ainda que a licenciatura resulta da capacidade de três instituições, localizadas em diferentes territórios, agregarem vontades em torno de um objetivo comum. Aos novos estudantes deixou também um desafio: que não se limitem às aulas, que participem na vida da academia, sejam exigentes com os docentes, apresentem projetos e sejam arrojados. “O território precisa de vocês”, sublinhou.
Uma profissão que vai muito além da reabilitação
Foi precisamente sobre a dimensão atual da profissão que incidiu a intervenção de António Lopes. O bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas lembrou aos estudantes que escolheram uma profissão regulamentada em toda a União Europeia e, por isso, com uma clara dimensão internacional.
Apesar de continuar frequentemente associada à reabilitação, a Fisioterapia tem hoje, explicou, um campo de intervenção muito mais abrangente, assumindo um papel nas políticas de saúde pública e nos cuidados de saúde primários. “Somos os especialistas do movimento”, afirmou António Lopes, antes de destacar a Fisioterapia como “uma profissão nuclear nos cuidados de saúde primários”.
Um curso construído a três
O caminho percorrido até à chegada dos primeiros estudantes esteve também presente nas intervenções dos responsáveis das Universidades Politécnicas de Santarém e Viseu.
João Moutão, Reitor da Universidade Politécnica de Santarém, classificou o arranque da licenciatura como um “dia histórico” para as instituições envolvidas e recordou que o objetivo nunca foi criar apenas mais um curso superior, mas responder à necessidade de formar profissionais nesta área.
Destacou ainda o caráter singular de uma formação que nasce de um consórcio construído numa lógica de parceria e partilha. O facto de as três instituições estarem envolvidas em universidades europeias proporciona também, salientou, uma perspetiva diferente e oportunidades mais abrangentes aos estudantes.
Também José Costa, Reitor da Universidade Politécnica de Viseu, falou num dia de “grande emoção” e atribuiu a concretização da nova formação à disponibilidade das três instituições para trabalharem em conjunto e “pensar o hoje e o amanhã”.
O percurso até à abertura da licenciatura foi igualmente recordado pelas diretoras das Escolas Superiores de Saúde das duas instituições parceiras. Hélia Dias, da Universidade Politécnica de Santarém, falou de um caminho longo, difícil e de muito trabalho até à chegada a este primeiro dia. Começa agora, afirmou, uma nova etapa, na qual será necessário demonstrar à comunidade científica e à comunidade para a qual os futuros fisioterapeutas irão trabalhar o valor da formação.
Manuela Ferreira, diretora da Escola Superior de Saúde da Universidade Politécnica de Viseu, definiu, por sua vez, a nova licenciatura como um desafio construído “a três mãos” numa área que classificou como “exigente, nobre e profundamente humana”
Para os estudantes que esta manhã começaram o percurso, foi o primeiro dia de uma nova etapa académica. Para a Escola Superior de Saúde e para a Universidade Politécnica de Viana do Castelo, marcou a estreia de uma nova área de formação e a chegada da primeira geração de estudantes de Fisioterapia.
Uma geração que, como Carlos Rodrigues lhes recordou, ficará na história da instituição por uma razão que nenhuma das seguintes poderá repetir: foram os primeiros.