Em comunicado enviado às redações, o ManifestAM adianta que, “em pouco mais de uma semana, o coletivo reuniu uma comunidade de WhatsApp com mais de 300 membros, através da qual os participantes podem integrar grupos de trabalho e colaborar na organização de manifestações e outras iniciativas”.
As duas assembleias populares, realizadas entre 22 e 27 de outubro, contaram, no total, com 92 presenças, correspondentes a mais de 60 pessoas diferentes, com idades compreendidas entre os 26 e mais de 65 anos.
Segundo o movimento, os encontros permitiram partilhar experiências que evidenciam as dificuldades de acesso à habitação na região. Entre os principais problemas identificados estão as rendas incompatíveis com os salários, o aumento dos juros associados ao crédito à habitação e o receio de ter de abandonar o Alto Minho para conseguir encontrar casa.
O coletivo adianta ainda que começou a ganhar visibilidade nas redes sociais nos últimos dias, tendo ultrapassado os 500 seguidores no Instagram (@manifest_am) e reunido cerca de meia centena de seguidores no Facebook.
Para o ManifestAM, a crise da habitação reflete também problemas estruturais mais profundos. Os baixos salários, a precariedade laboral, a perda de poder de compra e o aumento do custo de vida têm tornado cada vez mais difícil garantir condições de vida dignas, mesmo para quem trabalha.
Embora se identifique com as reivindicações que têm marcado as mobilizações a nível nacional, o movimento pretende dar destaque às especificidades de Viana do Castelo e dos restantes concelhos do Alto Minho.
No manifesto publicado, defende uma gestão do território que dê prioridade às necessidades de quem nele vive e crie condições para que a população possa permanecer na região. “Queremos que quem escolhe este distrito lhe possa chamar casa, e que ninguém tenha de escolher entre pagar uma casa e ter uma vida digna”, lê-se no documento.
O ManifestAM apresenta-se como um “movimento cívico, pacifista, apartidário e sem hierarquias”, que pretende não só reivindicar mudanças, mas também promover o diálogo com diferentes setores da sociedade.
O objetivo, afirma o coletivo, é criar condições para conversar “com as autarquias, com as associações, com os que estão solidários e os que pensam de forma diferente”.
Nesta fase inicial, os participantes pretendem sair à rua de forma pacífica e colaborar com outras organizações e movimentos sociais na defesa do direito à habitação. Para o coletivo, “os problemas do território resolvem-se com quem o habita e as soluções, como as casas, constroem-se”.
Mais do que organizar manifestações, o ManifestAM pretende construir um espaço duradouro de participação cívica, onde a população possa debater os problemas que afetam o território e contribuir para a procura de soluções coletivas.
Entre os próximos passos, o ManifestAM anuncia a realização das Jornadas Populares pela Habitação, marcadas para sábado, 31 de outubro, a partir das 14h30, na Praça da República, em Viana do Castelo. Prevê também marcar presença na manifestação nacional pelo direito à habitação, agendada para sábado, 14 de novembro, às 15h30, na Praça da Liberdade, em Viana do Castelo.
O movimento deixa, por fim, um convite aberto à população de todo o Alto Minho: “Vinde decidir connosco”.