FECHAR
Logo
Capa
A TOCAR Nome da música AUTOR

Música

Há 5 horas

Música ao vivo em Lisboa e no Porto: onde ouvir, a que horas e como aproveitar a noite

Rádio Geice

Acessibilidade

T+

T-

Contraste Contraste
Ouvir
.

Portugal tem duas cidades onde se pode ouvir música ao vivo todas as noites do ano, e a maior parte das pessoas que lá vai não ouve nenhuma. Não é por falta de oferta. É porque a oferta não está nos sítios onde os visitantes andam de dia, começa a horas a que muitos já desistiram, e não se anuncia em cartazes na rua. Este guia é para quem gosta de música e vai passar uma noite ou um fim de semana a Lisboa ou ao Porto: diz onde se ouve, quando começa de facto, quanto custa e como se organiza o resto da noite à volta de um concerto, que é a parte que mais gente estraga.

Comecemos pelo Porto, que fica mais perto de quem nos ouve e é a cidade mais fácil de aprender. A noite portuense é compacta: uma sala de concertos de nível mundial, uma rua onde tudo acontece e meia dúzia de casas pequenas que programam o ano inteiro. Vai-se de umas às outras a pé. E quem chega de fora e quer que a noite não acabe com o concerto costuma tratar do resto ainda de dia, do jantar à companhia, procurando acompanhantes de luxo no Porto com perfil confirmado em vez de deixar essa parte para a hora a que a rua já está cheia e ninguém responde a mensagens.

Porto: da Casa da Música às caves da Baixa

A Casa da Música é o edifício mais reconhecível da cidade e uma das melhores salas da Europa para ouvir seja o que for, de orquestra a eletrónica. A programação é densa, os bilhetes para os concertos principais esgotam com antecedência, e vale a pena ir mesmo sem se conhecer o nome no cartaz, porque a sala faz metade do concerto. Fica na Boavista, longe da zona de saída, o que obriga a decidir se a noite acaba ali ou se continua na Baixa, de metro ou de táxi.

O Coliseu do Porto, na Rua de Passos Manuel, é a sala dos nomes grandes e das digressões, no centro e a dois passos dos bares. Mesmo nessa rua, uns andares acima, o Maus Hábitos programa há mais de vinte anos concertos de bandas pequenas e médias, com bar, restaurante e um público que fica depois de a música acabar. E a Rua das Galerias de Paris, com as paralelas, concentra o resto da noite numa área que se atravessa em cinco minutos, com bares de todos os feitios, que enche depois das onze e esvazia entre as quatro e as cinco. O fado existe no Porto, é bom e é raro: poucas casas, quase todas com jantar incluído, todas com reserva obrigatória.

Lisboa: uma cidade que toca até de manhã

Lisboa tem mais salas, mais géneros e um horário que surpreende quem vem do norte. Os concertos de sala pequena começam raramente antes das dez e meia, as portas abrem uma hora antes e a hora marcada no bilhete é uma sugestão; chegar às nove é chegar à espera. É por isso que a noite lisboeta pede planeamento: um jantar às nove e meia, um concerto às onze, uma última paragem às duas e o regresso ao hotel às quatro deixam pouco espaço para decidir alguma coisa pelo caminho. Quem vai sozinho e não quer que o depois do concerto dependa do acaso trata disso antes, e há quem prefira combinar a companhia com a mesma antecedência com que comprou o bilhete, procurando acompanhantes de luxo em Lisboa com identidade confirmada, para que a única coisa em aberto seja a música.

O resto da noite segue a mesma lógica de antecedência: o hotel perto da sala, o jantar reservado e a companhia decidida de dia, seja com amigos, seja através de um diretório de acompanhantes de luxo em Portugal onde cada perfil é confirmado antes de ficar visível. Combinar cedo, confirmar à tarde, e não deixar a noite pendurada numa mensagem por responder.

Quanto custa ouvir música nas duas cidades

Os concertos das salas pequenas custam entre cinco e quinze euros, muitas vezes com entrada livre em noites de semana. As salas médias andam entre os quinze e os trinta. A Casa da Música, o Coliseu do Porto e o Coliseu dos Recreios vão dos vinte aos setenta, conforme o nome, e os grandes espetáculos em arena passam facilmente dos oitenta. Uma casa de fado com jantar fica entre os quarenta e os setenta por pessoa; sem jantar, entre os dez e os vinte.

A maior parte dos bilhetes compra-se online e esgota por lá. A bilheteira à porta existe nas casas pequenas e é quase inútil nas grandes. E a bebida no interior custa o dobro do que custa no bar da esquina, em qualquer das cidades, o que explica porque é que as ruas em volta das salas enchem meia hora antes de cada concerto.

As salas de Lisboa, uma a uma

O jazz mais antigo do país e o rio ao lado

O Hot Clube de Portugal funciona desde 1948 e é um dos clubes de jazz mais antigos da Europa. Fica na Praça da Alegria, é pequeno, escuro e barato, e tem concertos várias noites por semana. Para quem gosta do género é a primeira paragem, e para quem não gosta é a maneira mais provável de passar a gostar. A sala é pequena e as noites boas esgotam, por isso compra-se o bilhete antes e chega-se cedo.

Descendo ao Cais do Sodré encontra-se o resto. O B.Leza é a casa da música africana e lusófona, com concertos e bailes que só aquecem depois da meia-noite e onde a pista é o objetivo. O Musicbox, ali ao lado, programa concertos de bandas nacionais e estrangeiras e continua em festa depois de a última banda sair. Toda a zona tem esplanadas e bares com música, o rio está a cinquenta metros e a rua cor-de-rosa faz a ligação entre tudo. É a área onde se pode ir a um concerto sem ter decidido a que concerto se vai.

Fado e coliseus

Alfama, a Mouraria e o Bairro Alto têm as casas de fado, das mais turísticas, com jantar caro e cantores em rotação, às mais genuínas, onde se paga a entrada e se ouve em silêncio absoluto. As segundas são melhores e mais difíceis de encontrar. A regra prática é desconfiar de quem chama à porta e procurar as que têm o nome dos fadistas no programa, com dia e hora.

Para os nomes grandes há o Coliseu dos Recreios, na Baixa, e as arenas fora do centro, que exigem transporte e paciência à saída. Nas arenas o concerto acaba cedo para os padrões da cidade, e é frequente a noite continuar no Cais do Sodré, que fica a caminho de quase todos os hotéis.

 

Braga, para as noites em que não se vai tão longe

Braga não é Lisboa nem Porto, mas tem uma cena própria que vale a pena conhecer antes de se fazer a viagem grande. O Theatro Circo é uma das salas mais bonitas do país e programa música de todos os géneros, e os bares do centro histórico têm concertos regulares a preços de cidade universitária. A noite acaba mais cedo, custa menos e está a menos de uma hora de casa para quem nos ouve.

Como aproveitar a noite à volta de um concerto

Comprar o bilhete primeiro e escolher o hotel depois. Ficar a pé da sala, ou pelo menos da zona onde se vai acabar, poupa o táxi que não aparece às quatro da manhã.

Jantar antes, e cedo para os padrões locais. Um jantar às oito no Porto ou às nove em Lisboa deixa tempo para chegar à abertura das portas sem correr.

Confirmar a hora real do concerto no dia. As salas pequenas atrasam-se e as grandes não esperam.

Ver o que toca nas salas pequenas na mesma noite. As melhores surpresas das duas cidades são concertos de cinco euros de bandas de que nunca se ouviu falar, a duzentos metros do sítio onde se ia.

Deixar o dia seguinte livre. Uma noite de música em Lisboa ou no Porto acaba tarde por definição, e a manhã seguinte, sem plano, é quase sempre a melhor parte da viagem.

Lisboa e o Porto tocam todas as noites. A diferença entre voltar de lá com um concerto na memória ou com a sensação de que a cidade estava fechada é só uma: saber a que horas e em que rua a música começa, e tratar do resto antes de ela começar.

App Geice Fm
App Geice Fm

Últimas Noticias

Últimos Podcasts