A insatisfação com a crise habitacional em Portugal acaba de ganhar uma nova voz no Alto Minho. Longe dos olhares do grande público, um grupo de 46 cidadãos reuniu-se na noite de ontem em Viana do Castelo, para fundar um novo movimento cívico e apartidário pelo direito à habitação.
O movimento, que nasceu a partir de uma comunidade no whatsapp e ainda não tem um nome oficial definido, surge em resposta direta à dificuldade crescente de viver e arrendar casa na região.
O retrato de uma geração sufocada
Os dados recolhidos durante esta primeira assembleia revelam o rosto da crise: A esmagadora maioria dos presentes tem entre 26 e 35 anos, e 78% são trabalhadores no ativo.
Apesar de estarem empregados, as queixas multiplicam-se:
Na ronda de apresentações, os testemunhos espelharam uma realidade dura – A impossibilidade de sair da casa dos pais devido aos baixos salários, a instabilidade laboral que impede o planeamento do futuro, o pânico de não conseguir pagar o crédito à habitação e relatos de despejos que forçam o regresso a casa de familiares.
Durante o encontro, foi sublinhado que Viana do Castelo tem sido um dos distritos onde os preços mais subiram recentemente. Os participantes apontam o dedo a vários fatores, nomeadamente a pressão inflacionária que chega do Porto e de Vigo, aliada à procura gerada pela nova indústria local.
O roteiro dos protestos
O grupo deixou claro que a intenção não é ficar fechado numa sala. O calendário de ações já está traçado e promete agitar a cidade nas próximas semanas. A ação será focada na rua e no diálogo com a Câmara Municipal, com o objetivo de exigir que as rendas baixem e que exista mais oferta a preços acessíveis.
Apesar da forte componente de protesto, o tom pretendido é pacífico. O núcleo sublinha a necessidade de estudar os dossiês para que seja capaz de apresentar propostas viáveis ao poder local.